Presidente do Corinthians cede a pressão e desiste de acordo com Memphis Depay
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
"Esta decisão foi tomada única e exclusivamente em consideração à saúde financeira da nossa instituição, que demanda um rigoroso equilíbrio e responsabilidade na gestão dos recursos disponíveis", diz a nota oficial, assinada por Stabile. "Ficou claro que assumir um novo compromisso dessa magnitude não seria compatível, neste momento, com o equilíbrio financeiro."
A verdade, porém, é que os motivos da decisão foram mais políticos do que financeiros. Figuras influentes no Parque São Jorge eram contra a renovação e ameaçaram retirar o apoio a Stabile em caso de assinatura. Líder do grupo Movimento Corinthians Grande, também conhecido como Chapa 82, Armando Mendonça é desafeto de Memphis e deixou clara a sua posição.
O técnico Fernando Diniz e o executivo de futebol Marcelo Paz, do outro lado, insistiam pela permanência do jogador de 32 anos. A torcida era majoritariamente a favor, e a renovação tinha o apoio da Gaviões da Fiel. Mas, entre irritar torcedores e perder capital político, escolheu a primeira opção.
A condução do processo foi duramente criticada. Após um período de descanso ao término de sua participação na Copa do Mundo , Memphis viajou a São Paulo, passou por exames médicos e foi aprovado. Ele aceitou os termos propostos, inclusive um acerto por dois anos, não três. Mas, já com o contrato redigido, o presidente não quis nele colocar seu nome.
"Entendemos que o processo se estendeu além do prazo tradicional, mas isso se deve, principalmente, ao fato de estarmos tratando com um atleta diferenciado. A diretoria reconhece e valoriza ainda os esforços incansáveis de todos os departamentos da instituição que trabalharam para viabilizar a permanência do atleta", diz a nota.
Stabile prometeu conceder uma entrevista coletiva nos próximos dias para "prestar todos os esclarecimentos necessários". A expectativa é que o atacante também conceda uma entrevista agradecendo aos torcedores alvinegros pelos dois anos de convivência e apontando o dedo na direção de alguns dirigentes.
Para ficar, o holandês havia topado uma considerável redução salarial. O contrato encerrado no mês passado havia sido costurado pela gestão anterior, do presidente Augusto Melo, com bônus por gols, vitórias e títulos, um pacote de R$ 6 milhões a R$ 7 milhões mensais que não foi inteiramente honrado.
A dívida era um dos argumentos para que fosse feita a renovação. O Corinthians havia costurado com Memphis um acordo em que parcelaria o pagamento do valor devido em quatro vezes. E o havia convencido a abrir mão dos juros. Assim, seriam cerca de R$ 43 milhões. Sem acordo, com os juros, a dívida está em cerca de R$ 77 milhões.
Além desse pagamento de R$ 43 milhões, o clube arcaria com um salário na casa dos R$ 2 milhões mensais. Diante da situação da agremiação –com uma dívida estimada em quase R$ 2,8 bilhões e notórios problemas de fluxo de caixa– e da pressão interna, o presidente decidiu manter apoios que considera estratégicos.
Em ebulição perene, o Parque São Jorge vive dias ainda mais agitados do que os habituais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Esporte.