Rio avança no combate à informalidade dos combustíveis: como ajuda Vibra e Ultrapar?
O Rio de Janeiro está se transformando em um dos principais casos de formalização do mercado de combustíveis no Brasil, em um movimento que pode beneficiar distribuidoras e redes de postos que operam dentro das regras, segundo relatório do Bradesco BBI divulgado nesta semana.
Na avaliação do banco, uma combinação de reformas administrativas, endurecimento da fiscalização tributária e combate a fraudes no setor vem reduzindo a participação de agentes informais no mercado fluminense, criando oportunidades de ganho de participação para operadores formais como Vibra ( VBBR3 ) e Ultrapar ( UGPA3 ).
O estudo aponta que a mudança ganhou força sob a gestão interina do governador Ricardo Couto, magistrado de carreira e ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Segundo o BBI, a ausência de vinculação partidária permitiu ao governador avançar em medidas que administrações anteriores tiveram dificuldades para implementar, incluindo uma ampla reorganização da máquina pública e o reforço da atuação da Secretaria da Fazenda contra sonegação e concorrência desleal.
Leia também Vibra (VBBR3): lucro dispara 8 vezes e vai a R$ 2,35 bilhões no 2º trimestre A companhia registrou receita líquida ajustada de R$ 57,43 bilhões, crescimento de 26% na comparação anual e acima da projeção de R$ 55,4 bilhões Um dos reflexos mais visíveis dessa mudança aparece na arrecadação tributária.
De acordo com as verificações de campo realizadas pelo banco, a arrecadação de tributos sobre combustíveis no estado cresceu mais de 40% no primeiro semestre de 2026 e avançou 77% no segundo trimestre na comparação anual.
Novas medidas podem acelerar formalização O Bradesco BBI afirma que a formalização do setor ainda pode ganhar velocidade com a implementação de três iniciativas adicionais atualmente em discussão no estado.
A primeira delas é a criação de uma legislação voltada aos chamados “devedores contumazes”, empresas que fazem da inadimplência tributária parte de seu modelo de negócios.
A segunda envolve a adoção de regras de solidariedade tributária, mecanismo que amplia a responsabilização de participantes da cadeia por impostos não recolhidos, seguindo modelo semelhante ao já utilizado em São Paulo.
Além disso, a Secretaria da Fazenda está intensificando a fiscalização sobre postos e redes considerados irregulares ou que historicamente apresentaram falhas na prestação de informações fiscais e contábeis.
O banco avalia que essa ofensiva pode resultar no fechamento de um número relevante de estabelecimentos.
Na visão do BBI, o processo de saneamento do mercado pode gerar uma profunda reorganização do setor no estado.
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