Bovespa: pânico é causado por especuladores que apostaram em vitória de Flávio Bolsonaro, dizem especialistas
A forte oscilação e o clima de pânico registrados no mercado financeiro desde a abertura do pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nessa segunda-feira (27) não refletem uma deterioração dos fundamentos da economia real, mas sim o choque de realidade de investidores e especuladores.
Segundo analistas econômicos, a volatilidade na Bovespa foi impulsionada pela frustração de apostas de risco baseadas na crença de que Flávio Bolsonaro (PL) venceria a eleição e retomaria a política ultraliberal de Paulo Guedes durante o ex-governo do pai, Jair Bolsonaro.
Com a vitória surpreendente de Lula, virando a disputa no segundo turno contrariando as projeções dos agentes financeiros, o mercado reagiu de forma descoordenada e entrou em pânico para estancar perdas e, ao mesmo tempo, pressionar a condução da política econômica.
Segundo o Bloomberg Billionaires Index, os dez brasileiros que figuram entre as 500 pessoas mais ricas do mundo perderam, juntos, cerca de US$ 15 bilhões nesta segunda-feira.
De acordo com o levantamento, foi a maior perda diária acumulada pelo grupo desde a criação do índice, em 2012.
O fundador do BTG Pactual, André Esteves, de 58 anos, registrou a maior perda individual entre os empresários citados.
Segundo o índice da Bloomberg, sua fortuna diminuiu US$ 4,4 bilhões, cerca de 30%, passando a ser estimada em US$ 11,3 bilhões.
Desejo que Flávio Bolsonaro ganhasse Para o economista Gustavo Pessoa, professor e doutor em Finanças pela FGV, a leitura equivocada do mercado combina erros de análise técnica com fatores comportamentais.
Segundo ele, o mercado financeiro ignorou a racionalidade econômica clássica e operou sob o conceito de wishful thinking (pensamento de desejo, em tradução livre) durante o processo eleitoral.
“Tem um termo em psicologia econômica que é wishful thinkin g: você acaba acreditando na coisa que você deseja”, aponta Pessoa.
“Eles estavam desejando que o Flávio ganhasse e colocaram como se isso fosse verdade, para que todo mundo estivesse na mesma página”, emenda.
No campo da psicologia econômica e da economia heterodoxa, o wishful thinking ocorre quando a tomada de decisão é guiada por desejos, crenças interpessoais ou expectativas ideológicas, em vez de evidências concretas ou dados objetivos.
O agente financeiro passa a acreditar naquilo que ele quer que aconteça, criando uma bolha de confirmação.
No caso das eleições, o mercado projetou e precificou a vitória de Flávio Bolsonaro porque essa era a sua preferência política e de ativos.
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