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Os gatos estão ficando mais mansos? Ou são as pessoas que estão mudando?

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Os gatos estão ficando mais mansos? Ou são as pessoas que estão mudando?

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Professora de comportamento e bem-estar animal na Escola de Psicologia na Universidade Queen's de Belfast

Há cerca de 15 anos, criei uma página no Facebook para minha gata, Sandi. Meus amigos acharam isso estranho. Hoje, contas de redes sociais dedicadas a gatos atraem milhões de seguidores, gatos viajam em mochilas e carrinhos de bebê, e pesquisas mostram consistentemente que a esmagadora maioria dos donos considera seus animais de estimação como parte da família .

Já escrevi anteriormente sobre como os gatos foram domesticados . Mas a domesticação não é necessariamente um processo com um ponto final. Será que ela ainda estaria ocorrendo hoje?

Exemplos da vida selvagem sugerem que a adaptação à convivência com as pessoas pode continuar muito tempo depois do primeiro contato dos animais com os humanos.

Uma pesquisa liderada pelo biólogo Kevin Parsons, da Universidade de Glasgow, fornece um dos exemplos mais claros desse processo. Em 2020, Parsons e sua equipe compararam os crânios de raposas-vermelhas urbanas de Londres e da zona rural ao redor, e encontraram diferenças consistentes entre as duas populações.

As raposas urbanas apresentavam focinhos mais curtos e largos e caixas cranianas —a parte arredondada do crânio que abriga o cérebro— menores. Essas são mudanças que frequentemente acompanham a domesticação . Os pesquisadores sugerem que a vida na cidade pode favorecer raposas que têm menos medo das pessoas e são mais hábeis em aproveitar os alimentos e abrigos fornecidos pelos humanos.

Uma história semelhante está surgindo no Phoenix Park, em Dublin. Em 2022, as ecólogas Laura Griffin, Simone Ciuti e colegas da Universidade College de Dublin descobriram que enquanto alguns veados que viviam nos arredores da cidade raramente se aproximavam dos humanos, outros se aproximavam constantemente das pessoas em busca de comida. Cerca de um quarto da população de veados era composta por "mendigas assíduas", e essas fêmeas mais ousadas davam à luz filhotes mais pesados —o que sugere que os animais dispostos a se aproximar das pessoas podem ter uma vantagem.

Esses estudos mostram que viver ao lado dos seres humanos pode impulsionar mudanças evolutivas em espécies selvagens e semidomesticadas .

Mas será que o mesmo se aplica aos gatos, uma espécie domesticada há milhares de anos? Há duas respostas possíveis. Os gatos podem ainda estar mudando —ou talvez não tenham mudado muito, e seja nossa relação com eles que mudou.

Em comparação com os cães, os gatos têm sido tradicionalmente vistos como "menos" domesticados. Os cães foram criados para trabalhar ao nosso lado —pastoreando gado, protegendo casas e ajudando na caça—, enquanto os gatos, em grande parte, se domesticaram sozinhos .

Atraídos pelos roedores que se aproximavam dos primeiros assentamentos agrícolas, os gatos optaram por viver perto das pessoas porque isso lhes convinha, e não porque os criamos seletivamente para tarefas específicas.

Uma das razões pelas quais os gatos tiveram tanto sucesso é sua flexibilidade .

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Ciência.

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