No dia seguinte à vitória de Lula, direita assimila derrota, bolsas despencam e PT inicia reflexão
O Brasil acordou ainda sob o efeito da virada promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. O líder petista passou o dia se recuperando do domingo intenso da véspera, enquanto as lideranças do PT já começam a articular a formação do próximo governo, depois da surpresa das urnas. À direita, os principais partidos aliados de Flávio Bolsonaro (PL) reconheceram a derrota do candidato. Flávio rompeu o silêncio apenas no fim da tarde, colocando-se como “líder da oposição”.
Em nota divulgada à imprensa, Flávio agradeceu aos seus quase 60 milhões de eleitores e disse que "não se curvará diante das adversidades". "A partir de agora, assumo a liderança da oposição e prometo fazer valer a voz de milhões de brasileiros que querem um país livre, seguro e próspero. A eleição terminou, mas a luta por um Brasil diferente continua”, diz o texto.
O senador informou que prepara uma "ofensiva jurídica" para pedir a abertura de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), "por abuso de poder econômico e para buscar a cassação da chapa presidencial eleita”. A posição reforça a hipótese de que o núcleo duro do bolsonarismo contestará a validade do pleito.
No domingo, Flávio declarou que "é impossível" admitir o resultado das urnas e pediria a anulação do pleito ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato criticou a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de determinar a prorrogação do horário de votação por duas horas em todo o país, devido a registros de problemas nos transportes públicos para os eleitores.
Entretanto, o próprio PL também havia feito essa mesma solicitação ao TSE em três estados (São Paulo, Paraná e Santa Catarina), alegando más condições climáticas, o que enfraquece a eventual demanda oficial de contestação do pleito.
Um dia depois da votação, Flávio não teve agendas públicas e ficou em sua casa, em Brasília. Os partidos de direita ou centro-direita, União, Republicanos e Podemos, que apoiaram a candidatura dele no segundo turno, admitiram a vitória do petista.
O MDB, dividido no segundo turno, parabenizou Lula pela vitória. ”É um momento em que a vontade popular se fez soberana. Desejamos que ele tenha serenidade para governar o país em favor de todos, sem exceção”, afirmou nota publicada no X. O PSD, neutro depois da derrota de Ronaldo Caiado no primeiro turno, reafirmou “o compromisso com a democracia brasileira”.
O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, pediu "respeito às diferenças” e diálogo entre o Executivo e o Congresso. Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, liderança relevante do bolsonarismo e membro do Republicanos, optou pelo silêncio nesta segunda-feira. A postura indica a possibilidade de a ala mais radical da direita insistir pela via da contestação dos resultados, ao menos neste primeiro momento.
Também o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), divulgou nota na qual reconhece a derrota do partido na eleição presidencial.
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