Mobilização estudantil: governo francês promete reformar sistema de acesso ao ensino superior
A primeira data será marcada por uma nova mobilização dos chamados "coletes marelos" . Para 5 de novembro, os sindicatos convocaram uma jornada nacional de greves e manifestações nos setores público e privado.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, admitiu que o dia 31 de outubro poderá ser marcado por uma forte mobilização. "Pode ser um dia complicado, de grande mobilização", afirmou à BFMTV. O presidente Emmanuel Macron classificou o próximo sábado como um "dia de risco".
Criado em 2018, o Parcoursup é a plataforma nacional pela qual os estudantes franceses se candidatam a cursos de ensino superior. Em vez de fazer inscrições separadamente em cada instituição, o estudante reúne suas opções na plataforma, que encaminha as candidaturas às universidades, institutos e demais estabelecimentos.
As instituições analisam os pedidos segundo seus próprios critérios e fazem propostas de admissão aos candidatos.
É justamente essa etapa que está no centro das críticas. Os estudantes questionam a falta de transparência sobre os critérios utilizados pelas instituições e sobre os algoritmos que participam do processo de seleção. Para muitos, o Parcoursup se tornou o símbolo das dificuldades encontradas pelos jovens para conseguir uma vaga no ensino superior.
A plataforma também é acusada de contribuir para um processo considerado excessivamente seletivo e pouco transparente. As universidades, por outro lado, argumentam que o problema não está simplesmente no Parcoursup, mas na falta de vagas e de recursos em determinadas áreas.
O governo não pretende simplesmente abolir o Parcoursup. A proposta anunciada prevê uma reforma em duas etapas, para as sessões de admissão de 2027 e 2028.
Para 2027, a intenção é tornar mais claros os mecanismos e algoritmos utilizados localmente pelas instituições. Depois, está prevista uma reforma mais profunda para 2028, que deverá exigir uma mudança na legislação.
"Sobre o Parcoursup, ficamos satisfeitos. É um primeiro avanço. "Agora, há necessidade de, mais adiante, reformar mais profundamente a plataforma depois da sessão de 2027 e da sessão de 2028", afirmou Nathanaël Combary, presidente do conselho de administração da organização Renouveau lycéen (Renovação do ensino médio).
O tema será levado à Assembleia Nacional na quarta-feira, às 17h. O governo solicitou um debate sem votação sobre o futuro do sistema de orientação e distribuição de vagas no ensino superior. A discussão será realizada com base no artigo 50-1 da Constituição francesa, que permite ao Executivo apresentar sua política ao Parlamento e ouvir as propostas dos diferentes grupos políticos, sem que o governo fique obrigado a seguir o resultado do debate.
O deputado Manuel Bompard, coordenador do partido de esquerda radical A França Insubmissa, defende que a discussão seja seguida de uma votação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.