China ameaça retaliar EUA por sanções ao Irã e eleva tensão antes de encontro entre Trump e Xi
A China ameaçou retaliar contra os Estados Unidos caso o governo de Donald Trump amplie as sanções contra empresas chinesas acusadas de manter relações comerciais com o Irã, elevando a tensão entre as duas maiores economias do mundo às vésperas de um encontro previsto entre Trump e Xi Jinping.
O alerta de Pequim veio depois de Washington anunciar uma nova ofensiva econômica para isolar Teerã. Batizada de Operation Economic Outcast , a iniciativa ampliou a pressão sobre a rede financeira e comercial iraniana e atingiu cerca de 60 indivíduos, empresas e embarcações em diferentes países, incluindo entidades sediadas na China e em Hong Kong. Por enquanto, porém, o governo americano evitou atingir grandes instituições financeiras chinesas — uma medida que poderia provocar uma escalada muito mais grave.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que o país tomará “todas as medidas necessárias” para proteger seus interesses. Pequim também voltou a condenar sanções unilaterais impostas sem autorização do Conselho de Segurança da ONU.
A ameaça expõe o principal problema da estratégia americana: é difícil aumentar a pressão econômica sobre o Irã sem confrontar diretamente a China , seu maior parceiro comercial e principal destino do petróleo iraniano. Estimativas citadas por veículos internacionais indicam que os chineses absorvem a maior parte das exportações de petróleo de Teerã, tornando Pequim peça central para qualquer tentativa americana de estrangular a principal fonte de receitas do regime iraniano.
As grandes refinarias estatais chinesas tendem a evitar negócios que possam expô-las diretamente às sanções americanas. O comércio com o Irã, no entanto, continuou por meio de uma rede mais complexa de refinarias privadas, empresas intermediárias, comerciantes e operadores marítimos.
Nos últimos meses, Washington já havia aumentado a pressão sobre empresas chinesas envolvidas nesse comércio. A nova ofensiva, contudo, vai além de simplesmente adicionar companhias a listas de sanções: o governo Trump passou a ameaçar países e empresas que continuem a manter relações econômicas com Teerã com punições secundárias e até mesmo com a exclusão do sistema financeiro baseado no dólar.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que a administração americana está dando aos parceiros do Irã a oportunidade de interromper essas relações antes de ampliar as punições. Mas deixou claro que nenhum país estaria automaticamente protegido da nova campanha.
O problema é que levar essa ameaça às últimas consequências significaria atingir diretamente empresas e, potencialmente, instituições financeiras da China — uma decisão capaz de transformar uma campanha contra o Irã em uma nova crise econômica entre Washington e Pequim.
A escalada ocorre em um momento particularmente delicado da relação bilateral. Trump e Xi devem se reunir nas próximas semanas, em um encontro visto como decisivo para preservar a trégua comercial negociada depois de uma sequência de confrontos tarifários entre os dois países.
Uma ofensiva direta contra grandes empresas chinesas poderia colocar essa tentativa de estabilização em risco.
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