Nem uva, nem “vinho”: a aposta nas frutas nativas para criar bebidas complexas no Brasil
Luan Pissolati estudava fermentação alcoólica quando se deu conta do tamanho do desperdício.
O Brasil tem a maior biodiversidade do planeta e mais espécies de frutas do que qualquer outro país, e quase nada disso chega às garrafas.
“É impressionante pensar que aqui a gente só bebe cerveja, uva, coisas que vieram de outras culturas”, diz.
“Até as frutas que a gente consome não são as nativas daqui, praticamente ninguém as conhece.” Ele vem do design e das artes, e nunca considerou entrar pela porta da uva, já ocupada por gente fazendo coisa boa.
O que ficou girando era outra pergunta, que ele repete até hoje com as mesmas palavras.
“E se a gente fizesse vinho de frutas nativas? Como isso seria?” .
A pesquisa que veio depois levou à Companhia dos Fermentados , pioneira em fermentar frutos nativos no país, que acabou virando amiga e prestando consultoria ao seu projeto pessoal.
Para Luan, muita bebida da categoria parecia feita sem cuidado, resumida a pegar a fruta, fermentar e aceitar o que saísse.
A Caém do Brasil nasceu como tentativa de resposta a isso, com cambuci, uvaia e outras no lugar da uva, anos de pesquisa e pelo menos cem protótipos até as primeiras garrafas.
Caém do Brasil Hoje, elas têm acidez, corpo, tanino e passagem por madeira, aparecem em cartas de bar e restaurante e custam o que custa um vinho fino.
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