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Os perigos da pólio

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O último caso de poliomielite no Brasil ocorreu há 37 anos.

Foi num paciente de Sousa, no interior da Paraíba, diagnosticado no dia 19 de março de 1989.

Em 1994, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a doença extinta dos países da América Latina, demonstração inequívoca da eficácia da vacinação que a estupidez dos antivacinas faz questão de negar.

Os brasileiros de hoje não têm ideia do perigo que a poliomielite representou para a minha geração.

Qualquer criança com febre que ficasse largadinha, deixava a família assombrada com o fantasma daquela doença que paralisava os músculos e muitas vezes levava à morte.

Nunca estudei numa classe em que não ouvisse o barulho metálico das próteses mecânicas, empregadas para manter andando os alunos vítimas da doença.

Veja também: Descoberta da vacina da pólio No terceiro ano do curso médico, fazia parte do currículo assistir às aulas no “pulmão de aço”, no Departamento de Ortopedia do Hospital das Clínicas, da USP.

Acho que foi o lugar mais triste que conheci.

Era uma enfermaria com os aparelhos dispostos lado a lado.

O equipamento tinha sido criado em 1928, nos Estados Unidos, para receber crianças nas quais a paralisia atingira os músculos da respiração.

Constava de um tubo de aço com um pequeno colchão na parte inferior, dentro do qual a criança passava os dias deitada, só com a cabeça de fora.

Em movimentos rítmicos a máquina retirava e repunha o ar ambiente no interior do tubo, com o objetivo de diminuir a pressão para expandir a caixa torácica e assegurar a entrada de oxigênio nos pulmões, e aumentá-la para obter a efeito contrário.

A criança permanecia deitada de costas, presa, sem se mexer, porque a movimentação podia mover o colar de borracha ajustado ao redor do pescoço, descontrolar o fluxo de oxigênio e provocar sensação de sufocamento.

Depois de experimentar esse desconforto, a criança percebia que não lhe restava alternativa senão a imobilidade, até conseguir respirar por conta própria ou ser libertada pela morte por causas infecciosas.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em drauziovarella.uol.com.br — o conteúdo pertence a Portal Drauzio Varella.

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