Exportação de carne bovina recua e acende alerta no mercado
O mercado brasileiro de carne bovina começou setembro com queda no ritmo das exportações. Nos quatro primeiros dias úteis do mês, o país embarcou 40,58 mil toneladas de carne fresca, refrigerada e congelada, com média diária de 10,14 mil toneladas. O volume representa uma redução de 29,1% na comparação com a média diária registrada em setembro do ano passado.
Apesar da queda na quantidade, o preço médio da tonelada exportada subiu 9,3% no período, chegando a US$ 6.137,60. Com isso, a receita também recuou, com média diária de US$ 62,27 milhões, 22,5% abaixo do registrado no mesmo período de setembro de 2025.
O desempenho coloca o mercado externo como um dos principais pontos de atenção para a pecuária brasileira neste início de mês. A menor quantidade embarcada ocorre justamente em um momento de acompanhamento das relações comerciais com a China, principal destino da carne bovina brasileira.
Há especulações sobre uma possível retomada das compras chinesas por rotas marítimas mais longas, mas os custos adicionais de logística podem dificultar esse movimento. A definição do comportamento chinês pode influenciar diretamente os preços e o ritmo de comercialização do gado no Brasil.
No mercado físico, porém, a arroba do boi gordo apresentou leve reação ao longo da semana e chegou a R$ 350 na sexta-feira (11). A melhora ocorreu mesmo com escalas de abate mais confortáveis em grandes frigoríficos.
O mercado futuro também permanece firme, mostrando uma diferença em relação ao comportamento observado no mercado físico. Os contratos com vencimento em setembro, outubro, novembro e dezembro seguem entre os principais pontos de atenção dos operadores.
No Acre, os preços dos animais de reposição continuam refletindo o cenário da pecuária nacional. Segundo levantamento da Scot Consultoria de 11 de setembro, o boi magro Nelore está cotado em R$ 3.750 por cabeça, enquanto o garrote chega a R$ 3.150 e o bezerro a R$ 3.121,15.
Entre os animais mestiços, o boi magro aparece em R$ 3.187,50, o garrote em R$ 2.670 e o bezerro em R$ 2.625.
Nas fêmeas Nelore, a vaca boiadeira está em R$ 2.940, a novilha em R$ 2.650 e a bezerra em R$ 2.231,25. Já entre as mestiças, os valores são de R$ 2.499 para a vaca boiadeira, R$ 2.252,50 para a novilha e R$ 1.896,56 para a bezerra.
A movimentação das exportações é importante para o produtor acreano porque o mercado externo ajuda a definir o espaço de valorização da carne e, consequentemente, influencia frigoríficos, arroba do boi gordo e preços dos animais de reposição.
Enquanto as exportações seguem em ritmo menor, o mercado interno também enfrenta desafios. No atacado, os preços apresentam movimentos diferentes entre os cortes. O traseiro subiu para R$ 26,50 por quilo, enquanto o dianteiro recuou para R$ 19.
A expectativa para setembro é de um mercado mais pressionado, especialmente pela ausência de feriados e eventos que normalmente ajudam a estimular o consumo de carne bovina. Com menor ritmo das exportações e demanda doméstica ainda disputada por proteínas mais baratas, como frango e ovos, o setor acompanha de perto os próximos embarques.
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