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Corinthians precifica imagem em R$ 22 milhões e perde controle do caso

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Corinthians precifica imagem em R$ 22 milhões e perde controle do caso

O Corinthians precificou seu desgaste de imagem antes de assinar o contrato com a Fatal Fans. Em sete semanas, a decisão comercial de um clube endividado que é acompanhado por crianças nos estádios e nas transmissões produziu petição com 44,8 mil assinaturas, projetos de lei no Congresso, inquérito do Ministério Público de São Paulo e notificação da Nike.

Em 28 de junho, o Corinthians assinou um contrato de R$ 22 milhões com a Fatal Fans, plataforma de conteúdo por assinatura com presença relevante de material adulto. Pelo acordo, a marca fica estampada no futebol masculino, no basquete e no futsal, fica de fora do time feminino e das categorias de base, mas vale até dezembro de 2027.

O acordo financeiro pode chegar a R$ 31 milhões se prorrogado e previa mais de 60% do valor pago em 90 dias. O UOL apurou algumas semanas antes que a diretoria já discutia elevar o preço para compensar "eventuais desgastes de imagem".

O Corinthians escolheu transformar o risco reputacional em item de negociação e ainda cobrou mais caro por ele. Depois escreveu no contrato as restrições que, seis semanas mais tarde, serviriam para demonstrar que a incompatibilidade era reconhecida desde o início.

A discussão pública ficou presa à coerência entre a campanha "Respeita as Minas" e uma plataforma de conteúdo adulto patrocinando um clube com seguidores e fãs menores de idade.

"#RespeitaAsMinas foi bandeira. #AsBrabas foi orgulho. Mas sabemos que propósito não pode ficar só na hashtag. Ou os critérios se aplicam todos os dias, principalmente quando custa caro dizer não, ou campanhas exibindo boas causas não funcionam", afirma Gisele Lorenzetti, CEO da LVBA, agência que lançou um relatório de análise reputacional sobre o caso.

O desenho do acordo mostra um clube que sabia exatamente onde doía. A marca não apareceria nas categorias de base. Atletas não seriam usados para promover a plataforma. As peças publicitárias dependeriam de aprovação prévia. As campanhas não poderiam associar o Corinthians a erotização ou objetificação. No time feminino, a Fatal Fans cederia o espaço para a campanha institucional do clube. Cinco travas negociadas por uma diretoria que, oficialmente, considerava o patrocínio comum.

Mas, ao retirar a marca do uniforme feminino e das categorias de base, o Corinthians documentou quais públicos considerava incompatíveis com o patrocinador.

Em 13 de agosto, o Ministério Público de São Paulo abriu inquérito civil para apurar se o patrocínio fere direitos de crianças e adolescentes, e exigiu do clube o contrato, o plano de mídia e a descrição dos mecanismos de verificação de idade da plataforma.

No dia seguinte, a Nike notificou a diretoria do Corinthians e cobrou esclarecimentos sobre a natureza dos serviços da patrocinadora, amparada em cláusula que, segundo o UOL, permite vetar anunciantes considerados nocivos à saúde. O clube respondeu que consultou os parceiros antes da assinatura e que não considera o episódio uma crise.

Pouco antes da assinatura do contrato, em 18 de julho, o clube lançou um portal "Respeita as Minas" com informações sobre violência contra a mulher e canais de atendimento.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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