Greve dos bancários perde força com avanço do banco digital
Os bancários cruzam os braços por 24 horas nesta quinta-feira (20) . A paralisação, porém, ocorre em um sistema bancário muito diferente do de décadas atrás. Hoje, a maior parte das operações é realizada por canais digitais, como aplicativos e internet banking.
Digitalização reduz impacto da greve sobre operações bancárias. Diferentemente do que acontecia no passado, o fechamento das portas dos bancos deixou de ser um entrave tão relevante para a atividade bancária. A migração de operações para canais digitais permite que boa parte dos clientes continue fazendo pagamentos, transferências e outras transações mesmo sem ir a uma agência. "O comportamento do consumidor mudou. Depois que ele experimentou o digital, dificilmente vai querer voltar para o analógico", afirma Leandro Vilain, presidente da ABBC (Associação Brasileira de Bancos).
Uso de canais digitais reduz impacto da greve para os clientes. O último relatório de tecnologia bancária da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) indica que 83% dos 240,8 bilhões de transações bancárias realizadas em 2025 foram feitas por canais digitais. "O básico do dia a dia das operações bancárias já migrou quase todo para o aplicativo", afirma Victor Nery, CEO da NTX Pay. "É um movimento que não volta mais", complementa Vilain.
Agências bancárias perdem espaço na rotina da população. Na contramão da popularidade dos canais digitais, os canais físicos, que incluem agências e caixas eletrônicos, passaram a responder por apenas 6% das transações, contra 13% em 2021. "A conveniência digital transformou o relacionamento bancário em algo diário para a maioria dos brasileiros, tornando os canais físicos pontos de apoio para operações mais consultivas", afirma Rodrigo Mulinari, diretor da Febraban.
Instituições fecharam agências e reduziram postos de trabalho nos últimos anos. O Comando Nacional dos Bancários relata a redução de 92,3 mil postos de trabalho e a exclusão de 9.500 agências físicas desde 2015. "Os números evidenciam um processo de demissões em massa, que impacta não apenas os trabalhadores, mas também a qualidade do atendimento à população", lamenta Neiva Ribeiro, presidente da entidade.
Bancarização avança mesmo com a perda de espaço das agências. Nos últimos cinco anos, os vínculos bancários cresceram 10,2%, de 159 milhões para 175,2 milhões. A evolução constatada pelo BC (Banco Central) mostra que 96,4% da população faz parte do SFN (Sistema Financeiro Nacional). Os maiores crescimentos do período foram registrados entre moradores das regiões Norte (+20,8%) e Nordeste (+13,3%).
Fintechs aceleram a mudança nos padrões do sistema financeiro. A expansão das startups voltadas à prestação de serviços financeiros digitais também contribuiu para ampliar as opções disponíveis aos consumidores e acelerar a digitalização do setor. As fintechs já alcançam 123 milhões de clientes no Brasil.
Investimentos contribuem para a inovação dos bancos. Para acompanhar a transformação digital, as instituições aumentaram em 58,1% o orçamento tecnológico do setor desde 2021, de R$ 29,6 bilhões para R$ 46,8 bilhões.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.