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Encomenda à noite e delivery em 15 minutos: qual o preço disso?

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Encomenda à noite e delivery em 15 minutos: qual o preço disso?

Nos últimos meses, a cena passou a ser cada vez mais comum aqui em São Paulo. Compras que fazemos em marketplaces, como Amazon, Shopee e Mercado Livre, têm chegado em casa quase sempre no mesmo dia, e geralmente em horários não comerciais. São pacotes deixados antes das 8h da manhã ou mesmo depois das 9h da noite.

Quem toca o interfone nunca veste o uniforme da empresa e nunca dirige uma van com a marca da empresa, ou seja, nunca é um funcionário da empresa: é um terceirizado. Um elo final, quase invisível, de uma corrente que ninguém quer assumir.

A gente recebe a encomenda, agradece, fecha a porta, e não pensa mais no assunto. Mas, do outro lado do continente, alguém resolveu pensar. Em Nova York, o prefeito Zohran Mamdani declarou recentemente apoio a um projeto de lei que quer obrigar gigantes como a Amazon a contratar diretamente os entregadores, em vez de empurrá-los para empresas terceirizadas que assumem o ônus (e o risco) no lugar delas.

A Amazon reagiu com força: teria gasto mais de US$5 milhões em campanha contra a medida, alegando que ela encareceria cada pacote e ameaçaria milhares de empregos. Se a lei passar, Nova York será a primeira cidade americana a regular esse modelo.

O detalhe que me interessa não é a lei em si: é o contraste. Enquanto lá se discute o custo humano da entrega instantânea, aqui a gente ainda comemora cada novo recorde de velocidade como se fosse progresso puro. Vale a pergunta: o que essa pressa toda diz sobre nós?

A capital paulista virou o campo de batalha de uma batalha bilionária: a guerra do delivery. De um lado, o iFood, dono de quase todo o mercado. Do outro, duas gigantes chinesas que chegaram com o caixa transbordando: a 99Food, da DiDi, e a Keeta, da Meituan, que desembarcou no fim de 2025 com R$5,6 bilhões para gastar e a ambição de chegar a mil cidades. O setor movimentou R$79 bilhões em 2025, e a demanda por entregas na capital cresceu 20% em um ano.

No começo, a tática para machucar o adversário era de cupom: frete grátis, desconto agressivo, comida quase de graça para fisgar o cliente... Mas agora a disputa mudou de terreno. Não é mais só sobre quanto custa: é sobre quão rápido chega.

No primeiro trimestre do ano, a Keeta prometia entregas em torno de 31 minutos. A 99Food reagiu e passou a anunciar em 29. E a Amazon, que entrou na dança sem ser convidada, lançou em março o Amazon Now, serviço de mercado em casa em até 15 minutos, apoiado nas chamadas "dark stores", estoques-fantasma espalhados pela cidade só para despachar.

E aqui vem a pergunta que ninguém faz no meio da euforia: quem, exatamente, pediu isso? Quem estava em sofrimento agudo por receber a compra em 29 e não em 36 minutos? A pressa não nasceu de uma necessidade nossa: ela foi fabricada, embalada como comodidade e vendida de volta para a gente como se fosse um desejo antigo, finalmente atendido.

Toda essa velocidade tem um corpo. E esse corpo quase sempre pertence a alguém que acredita estar sendo livre: o entregador que faz os corres achando que esse tipo de trabalho o permite ser senhor do próprio tempo.

E há quem tenha ido às ruas medir isso de perto.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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