Juros vão continuar em queda no Brasil ou novos cortes ficam para 2027?
O BC (Banco Central) reduziu a taxa básica de juros da economia brasileira em 0,25 ponto percentual pela quinta vez seguida, para 13,75% ao ano , mas não indicou se a decisão representa o fim do ciclo de cortes da taxa Selic. Para os analistas do mercado financeiro, os próximos passos da condução da política monetária são uma incógnita.
Taxa básica de juros caiu pela quinta vez consecutiva. As reduções anunciadas pelo Copom (Comitê de Política Monetária) foram todas de 0,25 ponto percentual e derrubaram a taxa Selic para 13,75% ao ano. Novas decisões serão tomadas pelo BC após as eleições, nos meses de novembro e dezembro.
Copom não indicou se o corte será o último do ciclo . No comunicado da decisão, os diretores do BC condicionam os próximos passos da política monetária à divulgação de dados que mostrem o rumo do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que aparece próximo do teto da meta no acumulado dos últimos 12 meses.
O Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta. Comunicado do Copom
BC afirma que o cenário exige uma postura cautelosa. A autoridade monetária avalia que as indefinições da guerra no Oriente Médio e a evolução dos juros nas principais economias do mundo motivam os receios. "Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", diz o Copom.
Mercado não vê o futuro da taxa Selic de forma unânime. Até a semana passada, a mediana das projeções dos analistas consultados para a formulação do Relatório Focus apontava que a atual redução seria a derradeira para este ano . No entanto, as expectativas para o fim de 2026 variavam entre 12,75% ao ano (-1 ponto percentual) e 14% ao ano (+0,25 ponto percentual).
Desaceleração econômica motiva apostas de novos cortes. A perda de força foi constatada pelo PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre e os indicadores setoriais de julho. "Com a atividade perdendo força, o caminho para um novo corte de 0,25 ponto percentual nos parece ser o mais provável", avalia Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter.
Evolução da inflação persiste como temor para as decisões. Em relatório assinado por Alberto Ramos, o Goldman Sachs prevê um corte dos juros em novembro, mas entende que os preços vão limitar o ciclo. "Vemos pouco espaço para medidas de acomodação significativa no curto prazo, considerando as projeções de inflação acima da meta em todo o horizonte relevante", diz.
Dados econômicos devem guiar os próximos passos do BC. A declaração no comunicado do Copom é a mesma levantada por alguns analistas. Ao prever a manutenção dos juros até o fim de 2026, Diogo Guillen, economista-chefe do Itaú, avalia que o cenário ainda pode mudar até a próxima definição. "Continuaremos acompanhando atentamente esses desenvolvimentos", afirma.
Incerteza fiscal é citada como impeditivo para novos cortes. O compromisso com as contas públicas é lembrado como determinante para o andamento dos juros.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.