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Juros em 13,75% blindam renda fixa e desencorajam aplicações na Bolsa

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Juros em 13,75% blindam renda fixa e desencorajam aplicações na Bolsa

A expectativa do mercado financeiro de que o Banco Central congele a taxa de juros da economia brasileira (Selic) em 13,75% pelos próximos meses deve enterrar as chance de o investidor médio migrar da renda fixa para aplicações de risco. A manutenção dos juros em dois dígitos mantém a segurança das aplicações pós-fixadas, como CDI e Tesouro Selic, que continuam oferecendo retornos líquidos acima de 11% ao ano. O cenário é diferente da última vez que o Copom pausou os cortes, em junho de 2024, quando a taxa estacionou em 10,50% ao ano e ainda assim permitiu que a Bolsa subisse 11%.

A última vez que o Banco Central tirou o pé na redução dos juros foi em 19 de junho de 2024. Naquela reunião, o Copom manteve a Selic em 10,50% ao ano, encerrando uma sequência de sete cortes seguidos. A justificativa era que o investidor aguardava para ver se o banco central americano (o Federal Reserve) iria manter seus juros no maior patamar em 20 anos. Essa indefinição somada a dúvidas no Brasil sobre as contas públicas e a inflação foi suficiente para o Banco Central do Brasil apertar o botão de pausa.

A manutenção dos juros por três meses surpreendeu por aquecer a Bolsa de Valores. O Ibovespa saltou de 120 mil para 133 mil pontos (alta de 11%) até o Banco Central voltar a subir os juros em setembro. O motivo dessa disparada foi o otimismo dos investidores estrangeiros, que já apostavam numa queda de juros nos Estados Unidos e resolveram reforçar as apostas no mercado de ações brasileiro. O dólar, nesse meio-tempo, mal se mexeu: subiu de R$ 5,44 para R$ 5,46.

O episódio de 2024 indica que a Bolsa responde ao ciclo global e ao ponto de partida do preço dos ativos, não apenas à taxa de juros do país. Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital

Se a pausa de 2024 com a Selic em 10,50% deixou espaço para a Bolsa subir, congelar os juros em 13,75% não é a mesma coisa. Nesse patamar, a renda fixa pós-fixada — aplicação que acompanha a taxa básica, como Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária — passa a pagar até 11,5%. Para o investidor comum, é dinheiro garantido acima da inflação. "A taxa atual de 13,75% ao ano estabelece uma barreira muito alta para os ativos de risco, porque o prêmio oferecido pelas aplicações pós-fixadas é grande demais para ser ignorado pelo poupador", afirma Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

O impacto não é apenas sobre fundos conservadores. Também sente a diferença quem investe em títulos prefixados, aqueles em que a instituição define a taxa de retorno na hora da aplicação. Com os juros futuros travados, esses papéis perdem a chance de valorização rápida, o ganho extra para quem vende o título antes do vencimento. "Muitos entram e saem do investimento como se fosse renda variável por pura ansiedade ou necessidade de liquidez, quando o correto é compreender que as oscilações de preço são ajustes contábeis ao valor presente do papel", explica Lima.

Para investidores mais experientes, a Bolsa ainda pode ser opção. "Acredito que valha a pena correr riscos na Bolsa. A Selic alta abre oportunidade para comprar ações de empresas mais descontadas, no aguardo dessa Selic cair para patamares menores.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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