Plantas dadas como extintas há 30 anos são redescobertas no Brasil
Pesquisadores reencontraram no Quadrilátero Ferrífero (MG) espécies de plantas tidas como extintas da natureza há mais de 30 anos.
As descobertas ocorreram em áreas protegidas e mantidas pela Vale e fazem parte do Projeto de Conservação de Espécies Raras e Endêmicas do Quadrilátero Ferrífero , desenvolvido por universidades, instituições de pesquisa e a Vale dentro da Rede Propagar.
“Esse projeto envolve ir a campo nos locais onde essas plantas ocorrem e procurar por essas plantas na natureza. Algumas plantas que a gente tinha na nossa lista de espécies-alvo não eram vistas há mais de 100 anos e eram consideradas potencialmente extintas”, explicou Laís Zeferino, doutora em biologia vegetal e pesquisadora associada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
“Mas fazendo esse trabalho de ir procurar por essas plantas, a gente acabou encontrando-as na natureza e redescobrindo-as novamente”, acrescentou a pesquisadora.
Entre esses achados, estão a Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena, popularmente conhecidas por “sempre-vivas” ou “chuveirinho”, espécies típicas das paisagens das serras de Minas Gerais e que são conhecidas por suas flores que mantêm a aparência mesmo depois de secas.
“Essas plantas são específicas do Quadrilátero Ferrífero, onde a gente tem aquela vegetação em um solo ferruginoso, que é aquela terra bem vermelha, que só tem aqui em Minas Gerais”, explicou Laís.
Segundo Patrícia Favoreto Renci, engenheira agrônoma e gerente de propagação da Rede Propagar, essas plantas são endêmicas, ou seja, só ocorrem nessa região, e têm grande importância para a biodiversidade.
“São plantas que conseguem sobreviver em condições de temperatura e de estresse relacionado a estresse hídrico e estresse térmico, condições a que outras plantas não conseguiriam sobreviver”, disse.
“Elas são importantes para a preservação desses ecossistemas e também poderiam ser utilizadas na genética, na biotecnologia, na farmacologia e na preservação desses ambientes”, acrescentou.
A Paepalanthus magalhaesii, que parece um minúsculo pompom espalhado entre as rochas, cresce rente ao chão e só ocorre na região do Quadrilátero Ferrífero.
Por décadas se acreditou que ela poderia ter desaparecido da natureza, mas recentemente os pesquisadores conseguiram encontrá-la em áreas protegidas denominadas como Capanema, Capivari I, Capivari II e Cata Branca, entre as cidades de Itabirito, Rio Acima e Ouro Preto.
A Coracoralina amoena, que também só existe nessa região, é uma das plantas mais raras, vivendo apenas em um ambiente muito especial, em áreas de rochas , onde o solo é fino, o sol é intenso e a água é escassa durante boa parte do ano.
Essa espécie chegou a ser apontada na literatura científica como uma planta possivelmente desaparecida da natureza.
Para Laís, essas descobertas ajudam a comprovar que o Brasil é um dos países mais diversos do mundo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.