Médica que não deu alta a pacientes “para petista não votar” é demitida de hospital
A Maternidade Célia Câmara, de Goiânia, confirmou o desligamento definitivo da médica ginecologista e obstetra Marcella Segato de Sousa Melo.
A demissão ocorreu na última terça-feira (6), após a repercussão negativa de declarações atribuídas à profissional em uma plataforma de mensagens instantâneas.
A conduta da médica passou a ser alvo de questionamentos éticos e jurídicos devido à sugestão de retenção hospitalar de internadas com base em preferências ideológicas durante o período eleitoral.
O episódio ganhou visibilidade na véspera do primeiro turno das eleições, no dia 2 de outubro.
Na ocasião, a médica utilizou um aplicativo de conversas que reunia o corpo clínico da unidade de saúde para orientar seus colegas de plantão a barrar a liberação de pacientes que demonstrassem simpatia ou alinhamento ao Partido dos Trabalhadores (PT).
De acordo com registros de tela divulgados pela imprensa local, a profissional expressou explicitamente o pedido para que nenhum procedimento de alta fosse assinado ao longo do fim de semana, sob o argumento de que a maioria do público atendido no local pertenceria a esse espectro político.
A postagem gerou engajamento entre os membros do grupo privado.
Pelo menos uma dúzia de participantes interagiu com o conteúdo utilizando símbolos visuais de concordância, interações bem-humoradas e bandeiras do país, além de confirmações textuais da diretriz sugerida.
Até o momento, os órgãos fiscalizadores não estabeleceram de forma conclusiva se a recomendação informal chegou a interferir na assistência prestada ou no tempo de internação das parturientes e pacientes sob cuidados na maternidade.
Os desdobramentos do caso seguiram uma cronologia rápida dentro da instituição.
Logo após a publicação e a divulgação das mensagens no início de outubro, a profissional foi submetida a um afastamento cautelar para que a administração pudesse conduzir uma apuração interna detalhada.
Esse processo culminou, na terça-feira seguinte, no anúncio do encerramento definitivo de suas atividades no complexo hospitalar.
Posicionamento i nstitucional e a puração é tica Em esclarecimento à imprensa, a administração do complexo hospitalar informou que a ginecologista mantinha vínculo indireto com a instituição, sendo contratada por meio de uma empresa terceirizada responsável pela gestão de serviços médicos na organização social mantenedora.
A Maternidade Célia Câmara enfatizou que os posicionamentos manifestados na esfera privada não refletem as diretrizes operacionais nem os valores da entidade.
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