Autismo: estudo encontra risco de morte 78% maior entre pessoas hospitalizadas
Pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) que foram hospitalizadas apresentaram 78% maior risco de morte do que o grupo usado como comparação.
Os dados foram divulgados em um estudo realizado por pesquisadores da Fiocruz.
Mas o que pode explicar esse resultado? Para Camila Bonfim, pesquisadora do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), alguns fatores podem aumentar a vulnerabilidade dessas pessoas no acesso e no cuidado em saúde.
“Esses indivíduos têm maior risco de mortalidade prematura, relacionado ao menor acesso aos serviços de saúde, à presença de condições clínicas e psiquiátricas adicionais e apresentam dificuldades na expressão dos sintomas.
Além de, muitas vezes, não terem tratamento adequado e enfrentarem barreiras de acesso ao cuidado”, explica.
Principais achados do estudo A pesquisa analisou dados de saúde e assistência social de brasileiros entre 2008 e 2018.
Ao todo, foram considerados 948 pacientes com TEA que haviam sido internados e 99.904 pessoas sem registro de TEA e sem hospitalização.
Na comparação entre os dois grupos, os pesquisadores identificaram um risco de morte 78% maior entre as pessoas com TEA que haviam sido internadas .
Outros resultados: mulheres: o risco de morte foi 3,48 vezes maior; jovens de 11 a 24 anos: o risco foi 3,20 vezes maior; pessoas com TEA sem comorbidades: o risco foi 2,27 vezes maior; causas de morte: entre os hospitalizados com TEA, doenças respiratórias responderam por 24% dos óbitos e doenças neurológicas, por 20%.
“Essas causas principais possivelmente estão relacionadas a condições que são mais frequentes ou mais graves entre pessoas com TEA.
No caso das doenças neurológicas, a epilepsia , por exemplo, é mais comum entre elas.
Já nas doenças respiratórias, dificuldades de acesso e de acompanhamento dos serviços de saúde, incluindo a vacinação, podem contribuir para o agravamento dessas condições”, afirma Bonfim.
Veja também: Aumentam os diagnósticos de autismo em mulheres, apesar dos desafios Risco maior entre jovens e mulheres Embora o transtorno seja diagnosticado com mais frequência em homens, as mulheres apresentaram maior risco de morte no estudo.
Para a pesquisadora, uma possível explicação está na maior presença de comorbidades e de algumas condições genéticas entre as pessoas com TEA do sexo feminino .
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