Nota das Consultorias de Orçamento aponta diferenças em projeções para 2027
Em nota técnica conjunta sobre o projeto da Lei Orçamentária de 2027, as consultorias de Orçamento do Senado e da Câmara alertaram para a necessidade de cautela na análise da proposta, diante das diferenças entre as projeções do governo e as do mercado financeiro para o crescimento da economia, a inflação e a taxa de juros entre 2027 e 2029.
Com base nas estimativas oficiais, as consultorias calculam superávit primário de R$ 14,22 bilhões (0,1% do PIB) para o setor público consolidado em 2027, enquanto o mercado projeta déficit de 0,4% do PIB.
O documento também aponta a previsão de crescimento da dívida pública nos próximos anos.
Segundo as projeções oficiais, a dívida bruta do governo deverá passar de 86,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027 para 89,7% em 2030.
A nota também destaca incertezas nas projeções de arrecadação dos novos tributos da reforma tributária.
O projeto prevê R$ 678,8 bilhões em receitas da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto Seletivo (IS), cuja arrecadação terá início em 2027.
Segundo as consultorias, a ausência de uma série histórica desses tributos aumenta a incerteza sobre os valores estimados.
O PLN 24/2026, encaminhado pelo Poder Executivo em agosto, aguarda encaminhamento à Comissão Mista de Orçamento (CMO).
A nota técnica também aborda despesas com programas sociais, recursos destinados à saúde e operações de crédito condicionadas à autorização do Congresso.
Bolsa Família O projeto poderá demandar até R$ 24,9 bilhões adicionais para garantir o reajuste do Bolsa Família sem reduzir o número de famílias atendidas.
A proposta destina R$ 155,8 bilhões ao programa, valor que não contempla o aumento dos benefícios estabelecido por decreto publicado em setembro, após o envio do orçamento ao Congresso.
Segundo as consultorias, considerando o reajuste de 15,17% a 16% nos benefícios e a previsão de atendimento de aproximadamente 19,8 milhões de famílias, seria necessário acrescentar entre R$ 23,64 bilhões e R$ 24,93 bilhões ao orçamento do programa.
Outra possibilidade apontada pelas consultorias seria manter os recursos inicialmente previstos e ajustar o número de famílias atendidas pelo programa.
Recursos da saúde As consultorias também questionam a inclusão de determinadas despesas no cálculo do mínimo constitucional destinado à saúde.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www12.senado.leg.br — o conteúdo pertence a Agência Senado.