Por que o mercado financeiro entrou em pânico com a reeleição de Lula
O mercado financeiro foi pego de surpresa com a vitória de Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, e vive um dia de forte baixa na bolsa de valores. Como o resultado da eleição contrariou a expectativa, houve uma corrida nesta segunda-feira (26) para realocar recursos, com forte pressão vendedora nas ações brasileiras e no real. O ajuste ocorre porque a maioria dos agentes de mercado preferia a agenda econômica de Flavio Bolsonaro à de Lula, considerada mais favorável ao equilíbrio fiscal.
O forte ajuste no mercado, com queda de até 17% no Ibovespa, é reflexo de um evento que quebrou as expectativas . O mercado estava esperando a vitória de Flávio Bolsonaro, dado o seu desempenho superior ao de Lula no primeiro turno.
As pesquisas de intenção de voto da véspera mostravam o candidato Flávio Bolsonaro (PL) à frente na disputa eleitoral. Levantamentos de institutos como AtlasIntel, Quaest, Datafolha, BTG/Nexus, Palver e CNT/MDA indicavam o bolsonarista com vantagem numérica no segundo turno, mas em empate técnico com Lula.
Lula garantiu a vitória de virada, com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. Foi a primeira vez na história do país que um candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno conseguiu reverter o resultado na etapa final , e o primeiro quarto mandato de um presidente da República. No primeiro turno, o liberal marcou 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista.
Agentes do mercado financeiro correram para ajustar posições e reavaliar o prêmio de risco do país. Muitos investimentos e recursos haviam sido alocados considerando a vitória de Flávio como certa.
Os investidores temem que Lula expanda gastos públicos e a dívida bruta do país. O endividamento público do Brasil atinge 82,5% do PIB. O mercado também é contra o histórico do PT de maior intervenção estatal e oposição a reformas liberais.
O governo Lula reforçou esta visão ao tomar medidas que expandem os gastos públicos na véspera da eleição. Entre elas estão o perdão das dívidas dos MEIs (microempreendedores individuais), o aumento do Bolsa-Família e a criação do Desenrola 3, para reduzir o endividamento das famílias
Havia expectativa de uma política fiscal mais rígida com Bolsonaro. Analistas e economistas previam que um governo de Flávio priorizaria o controle rigoroso de despesas , a contenção da dívida pública, privatizações e reformas econômicas, como a administrativa e a previdenciária.
Analistas financeiros esperavam que os eventuais ajustes abririam espaço para queda na taxa de juros, inflação mais baixa e valorização do real. Com juros menores, empresas endividadas teriam redução de custos, favorecendo o consumo, novos investimentos privados, contratações e o crescimento da Bolsa de Valores.
O otimismo foi alimentado pelo crescimento da bancada do Partido Liberal (PL) no Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, o PL terá 121 cadeiras no ano que vem. No Senado, serão 28. O cenário facilitaria a aprovação rápida de medidas econômicas.
Negociações na Bolsa foram paralisadas na abertura de hoje por 30 minutos, quando o Ibovespa desabou 10%. Às 10h50, a queda acumulada atingiu 16,6%.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.