Mercado muda apostas para Selic após reeleição de Lula e agora prevê pausa nos cortes
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contrariando as expectativas do mercado financeiro, provocou uma reviravolta nas apostas para a trajetória da Selic, a taxa básica de juros do país.
Em apenas um dia, investidores abandonaram a expectativa predominante de um novo corte de juros na próxima semana e passaram a projetar que o Banco Central (BC) interromperá o ciclo de redução da taxa.
De acordo com o Termômetro do Copom, elaborado pelo Valor Investe com base em contratos de opções negociados na B3, até ontem (23), 76% das apostas apontavam para uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Nesta terça-feira (27), essa probabilidade despencou para 28%.
Na direção contrária, a aposta na manutenção da Selic no patamar atual, de 13,75% ao ano, saltou de 17,5% para 62%, tornando-se o cenário majoritário entre os investidores.
Se confirmada, a decisão interromperá uma sequência de cortes de 0,25 ponto percentual promovidos pelo BC a cada reunião do Copom desde março deste ano.
Para Rafael Sueishi, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, a mudança nas expectativas reflete uma preocupação que vai além da próxima decisão sobre os juros.
O mercado deixou de discutir a velocidade das reduções da Selic e passou a questionar quanto espaço o Banco Central ainda tem para continuar cortando a taxa.
O especialista explica que essa mudança não decorre de uma alteração repentina da inflação, mas da percepção de aumento dos riscos para a economia brasileira nos próximos anos.
A reeleição de Lula provocou uma forte reavaliação dos preços dos ativos brasileiros, especialmente do dólar e dos juros futuros.
Parte desse movimento, segundo Sueishi, resulta do desmonte de posições de investidores que apostavam em um cenário fiscal diferente, mas também reflete preocupações com a trajetória da dívida pública e a capacidade do governo de equilibrar as contas.
O principal risco, agora, é que a turbulência nos mercados deixe de ser apenas uma reação imediata ao resultado eleitoral e passe a afetar as expectativas de inflação.
Uma valorização persistente do dólar, por exemplo, pode encarecer produtos importados e pressionar os preços no país, dificultando a continuidade da redução dos juros.
Nesse cenário, Sueishi avalia que o custo de o BC esperar mais uma reunião para compreender a dimensão e a duração desse movimento é relativamente baixo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.