A crítica de André Esteves aos títulos isentos: ‘sou detentor, emito esses títulos, mas está simplesmente errado’
Não é de hoje que os títulos de renda fixa isentos de imposto de renda (IR) para a pessoa física estão na mira do governo.
De tempos em tempos, representantes da Fazenda e do Tesouro voltam a cena para falar sobre as distorções que o benefício tributário das LCIs, LCAs , CRIs, CRAs e debêntures incentivadas causa no mercado.
Mas, agora, os críticos dos títulos isentos ganharam um reforço de peso: o chairman do BTG Pactual ( BPAC11 ), André Esteves .
Em evento nesta segunda-feira (14), promovido pelo instituto Esfera Brasil, Esteves afirmou que o volume de títulos isentos no Brasil atingiu um nível "completamente absurdo".
Estima-se que o estoque desses papéis já tenha ultrapassado R$ 2 trilhões ao final do primeiro semestre de 2026 .
Um levantamento feito pela corretora Warren Rena mostrou que, em termos de renúncia fiscal, a perda arrecadatória anual do governo com esses papéis é da ordem de R$ 33 bilhões.
Mas não acaba aí.
A concorrência desses títulos isentos com os títulos públicos do Tesouro, que tem incidência de IR, faz com que a União precise oferecer taxas maiores para atrair investidores.
Essa dificuldade de financiamento, segundo a Warren, também tem um custo para os cofres públicos: pelo menos R$ 24 bilhões entre 2024 e o primeiro semestre de 2026.
Para Esteves, é justamente neste ponto que as distorções dos títulos isentos causam um problema de receita para o governo.
Para ele, o Brasil precisa trabalhar as distorções do sistema tributário para avançar em um ajuste fiscal mais crível.
"O volume de títulos isentos no Brasil é completamente absurdo.
Eu sou detentor desses títulos, emito esses títulos, mas está simplesmente errado.
E isso tem a ver com receita", disse o banqueiro no evento.
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