O segredo da Vale (VALE3) não está mais tão bem guardado assim — e já aparece no preço da ação
Alguns segredos podem ter prazo de validade e o da Vale (VALE3) parece ter vencido.
A mineradora segue sendo uma das preferidas do investidor que busca dividendos e exposição a commodities, só que o desconto que fazia da ação uma pechincha diminuiu.
Ainda assim, a XP não vê motivo para se desfazer do papel.
A casa manteve a recomendação neutra para a Vale depois de atualizar as estimativas e revisitar a forma como mede o desconto da ação frente a outras mineradoras globais.
E aqui está o ponto central: a comparação mais simples, pelos múltiplos de mercado mais usados, ainda sugere um deságio relevante da Vale.
Só que, quando os analistas ajustam o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para refletir de forma mais fiel a geração de caixa da empresa — e somam passivos que funcionam, na prática, como dívida —, a conta muda.
Nessa versão mais criteriosa da análise, a Vale negocia a 5,9 vezes o EV/Ebitda (valor da firma sobre o Ebitda) estimado para 2027, o que representa um desconto de cerca de 10% em relação a mineradoras diversificadas globais.
É um nível próximo da média observada desde a tragédia de Brumadinho .
Ou seja: o desconto não desapareceu, mas encolheu para perto do histórico — daí a leitura da XP de que a relação risco-retorno está equilibrada no preço atual.
O caixa da Vale ainda aperta no curto prazo Os analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano explicam que a geração de caixa da Vale segue pressionada nos próximos anos.
A estimativa é de um rendimento de fluxo de caixa livre, o chamado FCF yield, de cerca de 6% em 2027 — abaixo do que o mercado, de forma geral, está projetando.
Os motivos vão além de uma eventual queda no preço do minério de ferro .
A XP trabalha com premissas de US$ 100 por tonelada para o minério e US$ 14 mil por tonelada para o cobre em 2027.
A casa ainda aponta uma combinação de fatores puxando o resultado para baixo: fretes mais caros, real mais forte — o que reduz a receita em reais vinda de vendas em dólar —, despesas atreladas ao petróleo Brent pressionando custos, o capex (investimento) elevado destinado aos projetos de metais básicos e outras obrigações de caixa da companhia.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.seudinheiro.com — o conteúdo pertence a Seu Dinheiro.