Tréguas nas unidades de Três Lagoas e Ribas pressionam custos da Suzano
As duas maiores unidades de produção de celulose da Suzano em Mato Grosso do Sul tiveram paradas de manutenção mais longas no segundo trimestre, pressionando os custos da companhia e afetando o ritmo de produção no Estado.
O movimento ocorre em meio a um cenário internacional de maior oferta de celulose, puxado principalmente pela expansão da capacidade chinesa.
A companhia concentra em Mato Grosso do Sul capacidade de produção de cerca de 5,8 milhões de toneladas, o equivalente a 38,5% da capacidade nacional da empresa.
Em teleconferência nesta quinta-feira (13) com analistas de mercado sobre o balanço financeiro no segundo trimestre, divulgado na noite de quarta-feira (12), os executivos da Suzano relataram uma programação mais intensa de manutenção nas unidades de Mato Grosso do Sul.
Segundo eles, a medida ampliou o “ downtime ” em Três Lagoas.
Já em Ribas do Rio Pardo o tempo de trégua se estendeu além do previsto.
“Uma programação mais intensa de manutenção, ampliando o downtime em Três Lagoas, enquanto a parada em Ribas do Rio Pardo acabou se estendendo mais”, afirmaram os executivos, sem detalhar os motivos ou a duração das paradas.
Para especialistas que acompanham o mercado de celulose no Estado, a desaceleração pode estar relacionada ao ritmo de processamento de madeira em tora, uma das principais etapas da operação da Suzano no Vale da Celulose.
Professor de Economia da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Daniel Frainer avalia que a desaceleração na produção de celulose é natural e reflete um movimento de “boom e estabilidade do setor”, semelhante ao que ocorreu nos segmentos de carne, soja e sucroenergético.
O especialista aponta a alta da produção da China como o principal desafio para o setor e avalia que o país asiático pode se tornar autossuficiente em celulose nos próximos cinco anos, aproximadamente.
Frainer considera, no entanto, que ainda é cedo para avaliar eventuais impactos dessa mudança sobre o Vale da Celulose, principalmente porque a China continua sendo o principal destino das exportações de Mato Grosso do Sul em 2026.
“Mas logo vão estabelecer cotas, provavelmente”, avalia.
Custos Segundo a Suzano, o custo-caixa de produção de celulose, excluindo os efeitos das paradas, ficou em R$ 843 por tonelada no segundo trimestre, praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025.
A empresa mantém o objetivo de reduzir o custo para cerca de R$ 800 por tonelada nos próximos trimestres.
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