Ajuste do salário mínimo: por que R$120 a mais podem custar quase R$50 bi ao governo
Um aumento de R$ 120 no salário mínimo parece pequeno quando observado isoladamente.
No Orçamento federal, porém, o efeito tem potencial de se multiplicar.
Isso acontece porque o piso nacional não determina apenas quanto recebe o trabalhador que ganha o mínimo, ele também serve de referência para uma série de despesas previdenciárias e assistenciais.
Segundo cálculo da Consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado, cada R$ 1 acrescentado ao salário mínimo gera aproximadamente R$ 413 milhões em despesas adicionais .
Aplicada a um reajuste de R$ 120, a conta bruta se aproxima de R$ 50 bilhões.
No Mapa de Risco , programa de política do InfoMoney , o economista da XP Tiago Sbardelotto explica que o principal motivo é o elevado grau de indexação do Orçamento brasileiro.
Benefícios previdenciários, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguro-desemprego e abono salarial estão entre as despesas direta ou indiretamente ligadas ao piso.
Leia também Brasil registra déficit em conta corrente de US$ 8,11 bi em julho, diz BC A expectativa em pesquisa da Reuters com especialistas era de um saldo negativo de US$ 6,6 bilhões em julho O peso maior está na Previdência.
Segundo Sbardelotto, cerca de 60% dos benefícios previdenciários são pagos no valor de um salário mínimo.
“A gente está falando de benefícios que, dentro do benefício previdenciário, por exemplo, 60% recebem o salário mínimo.
Então, de uma despesa de R$ 1 trilhão hoje, a gente está falando de R$ 600 bilhões que recebem o salário mínimo todo mês.
Então, é de fato o principal indexador do Orçamento”, disse.
Por isso, qualquer ganho real concedido ao piso acaba sendo automaticamente transmitido para uma parcela relevante dos gastos obrigatórios do governo.
“Tudo que a gente faz que mexe com o salário mínimo, de certa forma, vai ter um impacto muito relevante por conta dessa proporção que ele tem ali dentro do Orçamento”, afirmou o economista.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.