Burnout entre MEIs: como evitar a exaustão ao empreender sozinho
Fazer compras, produzir, vender, atender o cliente, cuidar do financeiro, do marketing e de todo o operacional. Agora imagine tudo isso sob a responsabilidade de uma única pessoa. Essa é a rotina de muitos MEIs (Microempreendedores Individuais) e pequenos empreendedores que tocam o negócio sozinhos. O acúmulo de funções pode levar à sobrecarga física e mental.
O UOL ouviu especialistas para entender quando a dedicação intensa ao próprio negócio pode se transformar em um problema e quais são os sinais de alerta para o burnout. Eles também dão dicas para reduzir a sobrecarga.
Esgotamento começou ainda no mundo corporativo. Por mais de dez anos, Francine Atalita Marques, 39, trabalhou como analista de desenvolvimento humano em grandes empresas de Sorocaba (SP). Ela decidiu pedir demissão após uma crise grave de ansiedade nesse ambiente. Em 2015, tornou-se MEI para abrir a Livre no Mundo, e-commerce que vendia roupas e acessórios femininos importados da Índia e de países latino-americanos. A mudança para o empreendedorismo, porém, não significou uma rotina mais leve, e ela voltou a se sentir exausta.
Trabalhar em casa não reduziu a quantidade de tarefas. "Mesmo trabalhando de casa, minha rotina continuava intensa. Tinha uma pilha de atividades: desde cuidar da importação das roupas, precificar, cadastrar os produtos no site e fazer postagens nas redes sociais até ser responsável por toda parte administrativa da empresa", afirma. A rotina ficou ainda mais pesada em 2017, quando ela e mais dois empreendedores abriram o espaço colaborativo Jardim Urbano, em Sorocaba. Na casa alugada, cerca de dez empreendedores expunham seus produtos. "O trabalho aumentou. Além do e-commerce da minha marca, eu voltei a ter horário fixo nos meus dias de abrir e fechar o espaço, além de atender clientes pessoalmente", diz.
Na pandemia, em 2020, Francine decidiu acessar encerrar as duas atividades. Ela deixou o espaço colaborativo e desativou o e-commerce. "Senti que esse modelo de negócio não servia mais para mim. Estava com muita demanda e pouco retorno", afirma. O faturamento anual do negócio era, em média, de R$ 70 mil.
Depois disso, ela mudou o modelo de negócio. Francine passou a trabalhar com cursos e mentorias para outros empreendedores sobre divulgação de marcas nas redes sociais. Hoje, a empresa que leva seu nome concentra as atividades em mentorias voltadas a mulheres que querem construir negócios, novas carreiras ou projetos. Em 2025, Francine faturou R$ 100 mil.
A psicóloga Eli Borba aponta três fatores que podem aumentar a sobrecarga de quem empreende sozinho:
1) Acúmulo de papéis. "O MEI precisa ser o comercial, o financeiro, o operacional, o marketing e a limpeza. A sobrecarga cognitiva de alternar entre decisões estratégicas e tarefas burocráticas exaure o cérebro. As necessidades mudam várias vezes no mesmo dia, o que exige uma alta performance cognitiva e corporal. Um estado de presença difícil de manter", afirma. Segundo a psicóloga, a alternância constante entre funções aumenta a sobrecarga mental e dificulta a concentração em tarefas estratégicas.
2) Falta de uma rede para dividir responsabilidades.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.