Crise do Habib's ameaça abastecimento e faturamento de franquias
Franqueados do grupo Gennius, dono do Habib's e Ragazzo, podem sofrer impactos da RJ (recuperação judicial) da empresa , que planeja renegociar uma dívida de R$ 265 milhões. Quem tem franquia corre o risco de perder o fornecimento de serviços e insumos da rede, segundo especialistas ouvidos pelo UOL .
Atualmente, o próprio grupo Gennius fabrica e vende insumos usados pelos franqueados. Queijos, pães, sorvetes e doces são alguns exemplos de mercadorias que contam com produção própria.
Isso gera risco de desabastecimento. Além da falta de recursos em caixa, a recuperação judicial prejudica a relação do Habib's e do Ragazzo com fornecedores, porque coloca em dúvida a capacidade de pagamento da rede, segundo Claudio Damasceno, sócio da consultoria para reestruturação de empresas RGF Associados. Em breve, isso pode gerar desabastecimento ou encarecimento das matérias-primas que compõem os produtos vendidos às franquias, de acordo com ele.
Procurado pelo UOL, o grupo Gennius ainda não comentou o caso. Em caso de resposta, a reportagem será atualizada.
Eventuais faltas de produtos podem impactar vendas e dificultar a reestruturação do grupo. Para manter as atividades e pagar dívidas, o grupo depende do lucro com esses insumos e de taxas cobradas sobre as vendas finais das franquias.
A troca temporária de fornecedores é autorizada se houver desabastecimento prolongado. Guilherme Rebello de Paiva, do escritório Bortot Cesar Advogados, afirma que a exclusividade do contrato passa a ser considerada abusiva nesses casos. Ele recomenda notificar a marca, dando prazo para a regularização. Se não houver solução, o lojista pode procurar a Justiça para solicitar a troca ou suspensão do pagamento de royalties.
A crise de imagem do grupo também afasta consumidores, que temem perda de qualidade dos produtos. Isso gera um impacto comercial imediato, pois os clientes tendem a migrar para concorrentes.
O primeiro prejuízo que eu vejo é a percepção da marca, porque a marca é o principal ativo. Pode haver uma eventual percepção negativa perante o público consumidor. David Maxsuel, diretor de relações institucionais da Asbraf
Problemas com franquiados podem provocar um efeito bola de neve e levar à falência definitiva da rede. Claudio Damasceno, da RGF, estima que as franquias sejam cerca de 40% do total de lojas. Segundo David Maxsuel, diretor de relações institucionais da Asbraf (Associação Brasileira de Franqueados), a queda nas vendas por desabastecimento ou a suspensão do pagamento de de royalties pode comprometer uma das principais fontes de receita do grupo para quitar a dívida, levando à falência.
Transparência e colaboração do grupo com investidores é essencial para o sucesso da reestruturação. Segundo a Asbraf, é comum que redes em recuperação judicial omitam a gravidade da situação aos parceiros operacionais. A recomendação é que cada lojista documente formalmente qualquer falha para futura contestação judicial.
Os franqueados das duas marcas desembolsam aportes iniciais de R$ 265 mil a R$ 3,75 milhões para montar uma loja. No Ragazzo, a montagem exige entre R$ 289 mil e R$ 445 mil, dependendo do formato.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.