Entenda as conexões do Banco Master com a Oncoclínicas
A rede de clínicas de tratamentos de câncer Oncoclínicas entrou para o portfólio do Banco Master em 2024, quando o banco adquiriu ações da empresa em uma operação de aumento de capital de R$ 1,5 bilhão que hoje está sendo investigada pela área técnica da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Em maio de 2024, a rede, que hoje passa por um processo de recuperação extrajudicial com dívidas de R$ 5,1 bilhões, aprovou um aumento de capital que resultou na entrada de dois fundos do Banco Master — Tessália e Quíron —, que aportaram R$ 1 bilhão no negócio. Outros R$ 500 milhões teriam sido aportados pelo fundador da Oncoclínicas, o médico mineiro Bruno Ferrari. No entanto, os recursos que deveriam reforçar o caixa da Oncoclínicas foram usados para investir em CDBs do Master e inflar o patrimônio do banco, repetindo o modus operandi dos negócios do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que hoje está preso na Papudinha em Brasília.
A operação selou a volta de Ferrari ao negócio que ele vendera para o banco americano Goldman Sachs em 2015. O banco americano chegou a deter, junto com a gestora Centaurus, 93% da companhia até a realização da abertura de capital na B3, em 2021. Desde então essa participação foi sendo gradualmente reduzida.
Os fundos usados pelo Master para investir na Oncoclínicas eram geridos por outro mineiro, Renato Azevedo, da gestora Latache. Na época, a gestora que hoje dá as cartas na companhia, com 14,5% de participação, tinha apenas 1,4%. Azevedo chegou a ocupar um assento no conselho de administração representando o Master.
A liquidação do Master pelo Banco Central em novembro de 2025 provocou um rombo nas contas da Oncoclínicas. Em paralelo à crise da empresa, que deve apenas ao seu principal fornecedor de medicamentos deve R$ 1 bilhão, os sócios vêm enfrentando uma disputa bilionária, que virou alvo da CVM e também chegou a câmaras de arbitragem.
A disputa remonta a novembro de 2024, quando Goldman e Centaurus fizeram uma reorganização societária que deixou um fundo da Centaurus com 16% da ações da empresa. Na época elas tinham juntas 36,79% da companhia, entre ações e direitos políticos sobre ações. Não houve alteração da participação conjunta, mas a operação passou a ser alvo de questionamento da Latache, que começou a defender a tese de que a Centaurus deveria premiar os minoritários com uma OPA (Oferta Pública de Aquisição de Ações) bilionária. O argumento é uma regra do estatuto da companhia que prevê a obrigação de realizar esse tipo de oferta quando um acionista alcançar mais de 15%.
A OPA tem por função garantir isonomia aos acionistas minoritários para que possam eventualmente vender suas ações nas mesmas condições.
Esta semana, o colegiado da CVM deu vitória à tese da OPA da Latache , contrariando dois pareceres emitidos pela Área Técnica da autarquia, que acolheram os argumentos de Centaurus e Goldman de que a OPA não seria devida por se enquadrar em uma exceção prevista no estatuto. Por três votos e um impedimento, o colegiado determinou que a OPA seja realizada em, no máximo, 60 dias, e que a mesma deve beneficiar todos os acionistas da rede de clínicas habilitados até a véspera do leilão.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.