Negociação: Setor bancário lucra mais e oferece uma das piores propostas
Em mais uma mesa de negociação, a 10ª, da Campanha Nacional dos Bancários 2026, realizada nesta terça-feira (25), a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou proposta com um reajuste total de 2,57% para salários, VA e VR, auxílio creche, auxílio home office, com congelamento da PLR e piso de ingresso.
Com a estimativa da INPC até a data-base da categoria (1º de setembro) em 4,13%, este índice representa perda salarial real de 1,5%.
O Comando Nacional dos Bancários considerou a proposta inaceitável e a recusou.
“Esta proposta representa só 62% da inflação estimada para a nossa data-base.
Impõe perda salarial real de 1,5% aos bancários, além de não valorizar a PLR, o piso e demais verbas.
É inaceitável que um dos setores mais lucrativos e rentáveis da economia, que demorou tanto para apresentar uma proposta, não valorize seus trabalhadores”, destacou a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro.
“Os bancos são generosos com altos executivos, têm lucros elevadíssimos e ainda assim agem com desrespeito com os bancários.
A proposta está entre os 0,46% piores reajustes de 2026; 99,54% das negociações salariais resultaram em reajustes melhores que a proposta da Fenaban, que representa custo de só 0,9% do lucro do setor em 2025, de R$ 182,4 bilhões”, reforçou a presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.
Enquanto se negam a apresentar uma proposta decente aos bancários, os três maiores bancos privados do país já aprovaram, para 2026, remuneração média anual de R$ 12,5 milhões para os altos executivos – reajuste de mais de R$ 1 milhão em relação a 2025.
As negociações com os banqueiros serão retomadas nesta quarta-feira (26).
No dia 20 de agosto a categoria fez uma paralisação nacional, aprovada em assembleias por mais de 50 mil trabalhadores de todo o país, de bancos públicos e privados, ao rejeitarem a proposta da Fenaban durante a Campanha Nacional Unificada.
Banqueiros podem pagar Em 2025, os cinco maiores bancos tiveram lucro de R$ 124 bilhões.
A cobertura das despesas com pessoal com a receita de tarifas dessas instituições bancárias, uma receita secundária, foi de 123% em 2025.
Ou seja, com o que cobraram dos clientes, os bancos pagam toda a despesa de pessoal, inclusive PLR, com sobra equivalente a 23%.
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