Caiado mente sobre Europol para justificar proposta de segurança pública
Ronaldo Caiado (PSD) apresentou durante a sabatina do Jornal Nacional, nesta terça-feira (25), uma proposta para a segurança pública que envolve a criação de uma estrutura internacional de combate ao crime na América Latina.
O candidato afirmou que pretende formar uma espécie de “Interpol latino-americana” com os dez países que fazem fronteira com o Brasil Questionado pelos apresentadores César Tralli e Renata Vasconcellos sobre como funcionaria o projeto, Caiado afirmou que uma das atribuições da estrutura seria dar voz de prisão .
A comparação, porém, foi contestada durante a própria entrevista.
Os jornalistas lembraram que a Europol, agência de cooperação policial da União Europeia usada como referência pelo candidato, não possui poder de polícia nem autoridade para realizar prisões .
Mesmo após a correção, Caiado manteve a afirmação de que o modelo europeu teria essa atribuição.
A Europol não funciona como uma polícia supranacional.
A agência atua no compartilhamento de informações, análise de dados e apoio às investigações conduzidas pelas forças de segurança dos países integrantes da União Europeia.
Prisões continuam sendo realizadas pelas autoridades nacionais.
O mesmo vale para a Interpol , organização internacional de cooperação policial frequentemente citada como referência.
A entidade facilita a comunicação entre países, ajuda na localização de suspeitos e reúne bancos de dados internacionais, mas não possui agentes próprios com poder de prisão.
A proposta de Caiado também abriu uma discussão sobre soberania nacional e os limites da cooperação internacional em segurança pública .
Durante a sabatina, o candidato foi questionado se permitiria uma eventual participação ou intervenção dos Estados Unidos em uma estratégia de combate ao crime no Brasil.
Caiado não respondeu de forma categórica se aceitaria ou rejeitaria uma atuação desse tipo.
A discussão ocorre em um momento em que governos de diferentes países ampliam acordos de cooperação contra organizações criminosas que atuam além das fronteiras.
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