Fim da escala 6x1 assusta mercado e provoca disparada nas expectativas de inflação
O estresse dos mercados de renda fixa ao longo da semana se espalhou, também, para as medidas de inflação de mercado, que voltaram a incorporar prêmios mais elevados nos últimos dias.
Por trás da nova reprecificação está o lançamento de medidas do governo às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.
E a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que institui o fim da escala de trabalho 6x1 teve papel importante nesse processo, segundo a avaliação de gestores e operadores de renda fixa, que veem na pauta um impacto inflacionário relevante.
Aprovada na quinta-feira pelo Senado Federal, o fim da escala 6x1 deve elevar os custos de trabalhadores formais que hoje estão empregados sob o regime de pelo menos 44 horas semanais.
De acordo com cálculos da Warren Investimentos, o impacto inflacionário deve ser de 0,38 a 0,42 ponto percentual no IPCA, e deve se concentrar em segmentos da economia intensivos em mão de obra, como o setor de serviços, justamente o segmento onde a resiliência da inflação tem sido um ponto de atenção do mercado há algum tempo.
Desde terça-feira, as medidas de inflação implícita têm aumentado rapidamente.
A inflação implícita é obtidas por meio da diferença das taxas futuras dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com os juros reais das NTN-Bs, os títulos públicos atrelados ao IPCA.
À medida que os juros futuros sobem em ritmo mais forte do que as taxas das NTN-Bs, o mercado, na prática, precifica uma inflação mais elevada ao longo do tempo.
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