Inteligência artificial e vacinas: uma nova maneira de fazer ciência – por Dimas Covas
Durante grande parte da história da medicina, o desenvolvimento de vacinas esteve condicionado por uma dificuldade fundamental: nosso conhecimento sobre os agentes infecciosos e sua interação com o organismo humano era limitado.
Identificar os componentes de um vírus ou de uma bactéria capazes de induzir uma resposta imunológica protetora exigia anos de investigação, experimentos sucessivos e, frequentemente, uma boa dose de intuição científica.
Essa realidade começou a mudar com o desenvolvimento da biologia molecular, o sequenciamento genético e, mais recentemente, com a extraordinária expansão das tecnologias capazes de produzir informações biológicas.
Hoje conhecemos genomas completos de milhares de microrganismos, podemos estudar a estrutura de suas proteínas e investigar, com uma profundidade antes inimaginável, diferentes aspectos da resposta imunológica.
Curiosamente, essa abundância de informações criou um problema novo.
Já não se trata apenas de obter dados, mas de compreender o que fazer com eles.
A quantidade de informações disponíveis cresceu muito mais rapidamente do que nossa capacidade de analisá-las e transformá-las em conhecimento útil.
É nesse cenário que a inteligência artificial começa a ocupar um espaço importante na pesquisa biomédica, particularmente no desenvolvimento de vacinas.
Não acredito que estejamos diante de uma tecnologia capaz de substituir o trabalho científico ou de eliminar as incertezas próprias da investigação biológica.
Sua contribuição é de outra natureza.
A inteligência artificial amplia nossa capacidade de examinar um número extraordinário de possibilidades, identificar relações pouco evidentes e selecionar aquelas que merecem ser investigadas com maior profundidade.
Pode parecer uma mudança apenas instrumental, mas suas consequências são potencialmente profundas.
O desenvolvimento de uma vacina envolve uma sequência de escolhas.
Precisamos decidir quais proteínas de um microrganismo devem ser estudadas, identificar as regiões capazes de estimular uma resposta imunológica, compreender como determinadas estruturas interagem com o sistema imunológico e selecionar os candidatos que apresentam maior interesse para investigação experimental.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em futurodasaude.com.br — o conteúdo pertence a Futuro da Saúde.