Enéas de Souza e a defesa intransigente da democracia e da soberania
Enéas de Souza é essencialmente plural. Perto dos 90 anos, está passando pela vida com várias personalidades e ações: é filósofo, economista, psicanalista, jornalista licenciado, escritor, professor, crítico de cinema e intelectual que transita em várias frentes da cultura. Não faz ou fez tudo ao mesmo tempo. A sua vida é em etapas. Dentro deste contexto múltiplo, só duas coisas revelam o seu ‘ser’ permanente: a paixão pela democracia pura e planejada e o cinema – “uma fonte inesgotável de pensamentos e reflexões’.
Está cercado de livros e dvds de filmes de diretores como Luchino Visconti, Jean-Luc Godard , Alfred Hitchcock, Alan Resnais e tantos outros ‘monstros’ sagrados da história cinematográfica. A sua sala no apartamento em que vive em um dos prédios mais altos da cidade – 26 andares –, no bairro Auxiliadora, é uma gigantesca biblioteca. Livros e filmes, grande parte deles franceses.
Bem humorado, com boa saúde – “só uma artrose”, diz – e ótima memória para recordar tantas coisas, Enéas nasceu no Rio de Janeiro em 1937 e era filho único de pais catarinenses – Oscar Ayres de Souza e Irene Costa de Souza. Viveu também em Rio Grande, Florianópolis, Curitiba, Campinas, Porto Alegre e passou pedaços da vida no Texas (EUA) e Paris (França). Gostou mesmo de Porto Alegre, onde realizou a maioria dos seus sonhos profissionais. O pai era da aviação naval, primeiro na Marinha e depois da Aeronáutica e se aposentou antes do golpe de 1964.
Escreveu três livros – “O Escuro do Nosso Tempo: Ensaios: Psicanálise e Cultura” com outros dois amigos, “Os Filmes Pensam o Mundo” e “Trajetórias do Cinema Moderno” -, demonstrando sua paixão pelo cinema, que jamais abandonou. “Durante a vida enfrentei anos sabáticos, em que não via filmes, mas a paixão pela sétima arte jamais foi deixada, largada”, reforça.
Estudou Filosofia e Economia na UFRGS. Fez Mestrado em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde especializou-se em moeda, finanças e teoria econômica com professores do porte de Maria Conceição Tavares , Luiz Gonzaga Belluzzo, Renato Souza e tantos outros. Nestas áreas trabalhou como professor em colégios, como o Israelita, o pré-vestibular IPV e em universidades, como a PUCRS, UFRGS e Unisinos.
Na política, teve atuação na parte técnica.
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