CVM arquivou investigação contra Euro17
Alvo de uma série de processos na Justiça, a Euro Securitizadora, do grupo Euro17, chegou a ser investigada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários, que regula o mercado de capitais) por possíveis irregularidades na emissão de debêntures, mas os processos foram arquivados.
A empresa protagoniza o mais recente escândalo financeiro a eclodir na Faria Lima. A Euro Securitizadora emitiu centenas de milhões em debêntures sem registro na CVM e hoje deve R$ 741 milhões a mais de 4.200 investidores, segundo revelou o site Neofeed. A empresa prometia retornos de 19% ao ano, mas parou de honrar as parcelas mensais aos investidores em junho, quando passou a ser alvo de processos na Justiça.
A Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE) da CVM abriu dois processos a partir de denúncias anônimas envolvendo a Euro17, em 2021 e 2024, e diz que, "após diligências, não encontrou elementos caracterizadores de realização de oferta pública por parte dos denunciados".
As emissões eram realizadas como se fossem operações privadas, o que dispensa registros na CVM, mas eram distribuídas no mercado por meio de equipes de vendas ou assessores de investimentos — característica de ofertas públicas, que são reguladas pela CVM.
A emissão de debêntures para investidores pessoa física servia para financiar as operações de crédito de outro braço do negócio, a Euro17 Crédito. A empresa atuava sem registro tanto na concessão de crédito para terceiros como na emissão pública de debêntures.
Apenas instituições autorizadas pelo Banco Central podem conceder crédito no varejo de forma sistemática. E a oferta de produtos financeiros ao público em geral demanda registro prévio na CVM. Ao atuar nas duas pontas, captando e emprestando, a companhia funciona na prática como se fosse um banco, mas fora do regime legal e regulatório —- o que é considerado crime pela legislação brasileira.
A Euro17 tirou registro de Sociedade de Crédito Direto (necessário para atuar na concessão de empréstimos) junto ao Banco Central apenas em janeiro de 2025. Mas a empresa já tinha lojas para captar clientes desde pelo menos 2022, de acordo com o seu próprio site.
O volume transacionado por meio do CNPJ da SCD era pequeno em relação ao total da operação. De acordo com dados do BC, a empresa tinha R$ 845 mil em ativos e R$ 8.000 em receitas de crédito no primeiro trimestre deste ano.
A empresa tem sede na avenida Brigadeiro Faria Lima, com uma loja conceito em frente ao shopping Iguatemi, na mesma via, inaugurada em 2025.
Em março deste ano, a Polícia Federal fez uma consulta à CVM sobre os negócios do grupo, mas, segundo fontes ouvidas pela coluna, a autarquia declarou que não havia nenhum processo em andamento contra a Euro Securitizadora ou a Euro17, nem de outros CNPJs do mesmo grupo econômico. A CVM diz que atendeu aos pedidos de informação da PF e do Ministério Público, mas que "não comenta casos específicos em curso".
O Grupo Euro17 tem entre seus sócios Ik Cavalcanti Albuquerque e Marcelo Carvalho, CEO do grupo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.