Aplicativos 'ligam o turbo' nas entregas; acidentes crescem 35% em 2 anos
A 99Food anuncia delivery de comida em 29 minutos. Já a Keeta promete ser 60 segundos mais ligeira que sua concorrente direta.
A Amazon entrega compras de supermercado em 15 minutos numa parceria com a Rappi que, por sua vez, faz o mesmo serviço em dez.
Já a Shopee é a mais nova a apostar em uma operação turbo, de até quatro horas , para todo tipo de produto.
Enquanto o mercado de entregas ultrarrápidas fica cada vez maior e mais competitivo, com plataformas rompendo fronteiras entre o delivery de alimentos e o e-commerce de mercadorias, os acidentes com entregadores de moto e bicicleta também não param de crescer.
Geralmente, são esses profissionais o último elo de uma cadeia logística que se expande a passos largos pelo país.
De acordo com dados oficiais do Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 34 mil acidentes com entregadores em duas rodas entre janeiro de 2023 e julho de 2026 — uma média de 37 por dia.
Contando apenas as estatísticas do início deste período até o fim do ano passado, o aumento foi de 35% num espaço de 24 meses. Motoboys e bikeboys já ocupam o décimo lugar entre as categorias que mais sofrem acidentes.
"É uma 'corrida maluca' em que você precisa ganhar o máximo de dinheiro possível, no menor tempo possível", afirma Ilan Fonseca, procurador do MPT ( Ministério Público do Trabalho). "Então, com certeza vai incrementar, como já está incrementando, os acidentes de trabalho, que também são acidentes de trânsito", continua.
A compilação de dados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) é fruto de uma cooperação entre o MPT e o governo federal firmada há cerca de três anos.
Desde então, sempre que um motociclista dá entrada em um hospital público, os responsáveis pelo atendimento são orientados a questionar se o paciente estava trabalhando em um aplicativo no momento do acidente.
A implementação desse protocolo, entretanto, não está totalmente consolidada, diz Fonseca. Por isso, o procurador do MPT acredita que os dados oficiais do governo federal não refletem a realidade por inteiro. "O número [de acidentes] ainda vai crescer", avalia.
O presidente do SindimotoSP, entidade representativa dos motoboys na capital paulista, também enxerga com preocupação o avanço das entregas ultrarrápidas.
"Como as plataformas fogem da regulamentação trabalhista, elas ficam à vontade para mudar [seus sistemas], do jeito que elas querem, sem se preocupar com a consequência no trânsito", critica Gilberto Almeida dos Santos.
A relação entre o avanço dos aplicativos e o aumento do número de acidentes já foi pauta de audiências públicas e de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) realizada em 2022, na Câmara Municipal da capital paulista, principal mercado dessas empresas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.