Dólar sobe 1% ante real em sessão negativa para ativos brasileiros
O dólar fechou a terça-feira em alta de 1%, na ‌contramão do exterior, onde a moeda norte-americana rondava a estabilidade, com operadores domésticos avaliando nova pesquisa eleitoral que apontou a liderança do presidente Lula nas intenções de voto.
O dia, que também trouxe dados de inflação no Brasil e ata do Banco Central, foi negativo para os ativos brasileiros, com alta dos juros futuros e queda firme do Ibovespa -- que sofreu ainda o impacto de um rebaixamento de recomendação das ações brasileiras pelo banco JPMorgan.
O dólar à vista ‌fechou o dia em alta de 1,04%, aos R$5,1639, maior valor de fechamento desde 3 de julho (R$5,1688). Na semana, o dólar acumula alta de 1,56%.
Às 17h07, o contrato de dólar ‌futuro para setembro -- atualmente o mais líquido no Brasil -- ‌subia 1,06% na B3, a R$5,1875.
Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que soma 39,1%.
Lula mantém também a liderança no primeiro turno da disputa, com 42,4%, enquanto Flávio soma 28,7%. Nenhum outro candidato superou a marca de 4%.
"Observa-se que uma parcela relevante dos operadores avalia positivamente uma alternância na Presidência, na expectativa ‌de que um eventual próximo governo possa adotar uma política fiscal mais responsável", disse Leonel Oliveira ‌Mattos, analista de Inteligência de Mercados da StoneX. "Notícias ou fatos que favoreçam uma perspectiva de reeleição do presidente Lula tendem a elevar a percepção de risco nos mercados, aumentando a exigência por prêmios de risco."
Também ‌nesta terça estrategistas do JPMorgan cortaram ‌a classificação do Brasil no seu portfólio de ações para América Latina para "neutra" ante "overweight", conforme relatório a clientes, citando entre os argumentos uma perspectiva de fim do afrouxamento monetário no país. A equipe também destacou que o crescimento econômico está desacelerando e que o crédito está piorando, "um cenário pouco favorável para os resultados corporativos daqui para frente".
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