OPA da Braskem oferece 9,24 reais por ação — em títulos que vencem em 2090
A oferta pública de aquisição de ações da Braskem aprovada pela CVM nesta segunda-feira tem uma peculiaridade que vai além do pagamento em títulos em vez de dinheiro.
Levantamento do Radar mostra que, pelo último valor nominal disponível, cada acionista que aderir à operação receberá o equivalente a 9,24 reais em debêntures por ação entregue ao Shine I, fundo ligado à IG4.
O número, porém, está longe de significar que o minoritário receberá 9,24 reais em dinheiro.
A contrapartida será formada por duas debêntures OSPI12 e uma OSPI22 da NSP Investimentos, antiga controladora da Braskem e empresa em recuperação judicial.
Na base do Sistema Nacional de Debêntures, cada um desses papéis tinha valor nominal de 3,08 reais em 26 de agosto.
Há outro detalhe: as duas séries têm vencimento previsto apenas para 31 de dezembro de 2090.
O cadastro dos papéis também os classifica como quirografários e registra juros de 0,1% ao ano dentro de uma estrutura de remuneração não padronizada.
Não há, na base consultada, uma cotação de mercado que permita tratar os 9,24 reais nominais como o valor que o investidor conseguiria efetivamente realizar pelos títulos.
Continua após a publicidade A estrutura reproduz a própria compra do controle da Braskem.
Em abril, o Shine acertou a aquisição de 273,6 milhões de ações da companhia pertencentes à NSP sem desembolso de caixa.
Em contrapartida, entregou 547,3 milhões de debêntures OSPI12 e 273,6 milhões de OSPI22 — exatamente a proporção de duas debêntures da primeira série e uma da segunda para cada ação adquirida.
Continua após a publicidade Agora, essa mesma relação será estendida aos acionistas alcançados pela OPA.
A CVM aprovou a oferta porque, na alienação de controle, o minoritário deve ter acesso às mesmas condições usadas na operação com o antigo controlador.
No caso da Braskem, o estatuto também estende esse direito às ações preferenciais.
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