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‘Nosso desafio não é saber mais. É sermos capazes de imaginar e nos tornarmos aquilo que ainda não existe’

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‘Nosso desafio não é saber mais. É sermos capazes de imaginar e nos tornarmos aquilo que ainda não existe’

Existem autores que criam mundos.

E existem autores que, além de criar mundos, buscam transformar nosso mundo, como é o caso de Patrick Chamoiseau.

Nascido na ilha da Martinica , território nas Antilhas pertencente à França, esse escritor de 72 anos é leitura inescapável a quem quer compreender e reimaginar este mundo que herdamos e compartilhamos com o Outro – outro cidadão, outro povo, outra espécie.

Em tempos de novos sectarismos, pretensões puristas e guerras econômicas, sua obra nos convida a uma abertura radical – e urgente se pretendermos sobreviver à crise socioambiental.

Do romance ao ensaio, diluindo inclusive fronteiras de gênero, Chamoiseau bebe da contação de lendas e histórias de seus ancestrais – a oriliteratura, da qual ele fala em O contador, a noite e o balaio (Editora 34) -, reprocessa o passado escravocrata, colonial e extrativista de sua terra natal, toca na potência e nas feridas das migrações e, ao final, nos provoca a utilizar todos esses ingredientes que forjaram a sua trajetória (e a de todos nós, frutos desta América sortida) para esboçar novos e necessários horizontes.

Felizmente, o leitor brasileiro tem a oportunidade de desbravar essa obra-mundo numa bem-vinda profusão de títulos do autor.

A começar pelo romance que lhe rendeu em 1992 o prêmio Goncourt, Texaco , um livro magistral oportunamente reeditado pela Pinard – que, aliás, o escolheu para inaugurar neste ano seu selo de ficções contemporâneas.

Texaco, de Patrick Chamoiseau, tradução de Rosa Freire D’Aguiar, Editora Pinard, 504 páginas Capa: Pinard/Reprodução Continua após a publicidade Texaco evoca a empresa de postos e combustíveis, que também deitou raízes e tubulações na Martinica, mas perderia terreno ali para uma comunidade de mesmo nome que iria vicejar, apesar dos inúmeros desafios, nos passos de uma família que herdou a “despossessão” dos antepassados escravizados.

Nele, o leitor acompanhará a semeadura de um “manguezal urbano”, que confronta o olhar de um urbanista talhado pela cultura ocidental.

Texaco é regado pela memória, a um só tempo individual e coletiva, que é “a cola, o espírito, a seiva” de qualquer realização humana.

É adubado pelo encontro da língua francesa e da língua e da experiência crioula.

É cultivado com uma narrativa única, que rompe amarras formais, e vai florescer com as cores da liberdade, afinal, como aprendemos ali, “carregar a liberdade é o único fardo que deixa as costas eretas”.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.

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