Klopp afirma que Alemanha precisa recuperar orgulho nacional das mãos de "pessoas erradas"
BERLIM, 17 Set (Reuters) - O técnico da Alemanha, Jürgen Klopp, afirmou nesta quinta-feira que quer recuperar as manifestações de orgulho nacional das mãos de “pessoas erradas”, em declarações amplamente interpretadas como uma repreensão à extrema-direita após vitória do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições deste mês.
Em coletiva de imprensa para divulgar a lista de 44 jogadores divididos em dois grupos para as próximas partidas da Liga das Nações, Klopp disse que os alemães deveriam se sentir à vontade para expressar orgulho pelo próprio país sem serem associados ao extremismo.
“Não quero deixar o orgulho nacional nas mãos das pessoas erradas”, disse Klopp, uma das figuras públicas mais proeminentes do país.
Sem mencionar a AfD pelo nome, ele acrescentou que gostaria de “reivindicar a bandeira”.
“Quero que, quando alguém a hasteie, ninguém pense: ‘O que há de errado com você?’", afirmou Klopp.
“Em vez disso, quero que as pessoas entendam: você está feliz e percebe a sorte que teve de nascer, crescer ou se mudar para este país maravilhoso.”
A AfD derrotou os partidos tradicionais e venceu as eleições no Estado de Saxônia-Anhalt, no leste do país, em 6 de setembro, e pode formar ali o primeiro governo de extrema-direita em nível estadual na Alemanha do pós-guerra. Ela também pode liderar em outra eleição estadual neste fim de semana.
“Tem acontecido um número incrível de coisas recentemente: houve uma eleição que algumas pessoas provavelmente acharam normal, enquanto muitas outras pensaram: ‘Meu Deus, o que diabos está acontecendo?’", disse Klopp.
Um porta-voz da AfD informou que o partido divulgaria um comunicado ainda nesta quinta-feira.
Usando um boné com o logotipo da Adidas nas cores da bandeira alemã, Klopp reconheceu a sensibilidade do tema do patriotismo em um país que há muito tempo encara demonstrações abertas de orgulho nacional através do prisma de seu passado nazista.
O ex-técnico do Liverpool, que assume o cargo no jogo contra a Holanda em 24 de setembro, disse preferir o termo “patriotismo positivo” a “orgulho nacional”, que, segundo ele, poderia ser mal interpretado.
“É possível ter orgulho de ser alemão e, ao mesmo tempo, ser aberto, diversificado, gentil e amigável — ainda é possível demonstrar compaixão?”, perguntou Klopp.
(Reportagem de Miranda Murray e Andreas Rinke, em Berlim, e Pearl Josephine Nazare)
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