Os motivos que levaram Lula a superar Flávio Bolsonaro, segundo especialista em opinião pública
O especialista em opinião pública e fundador da Nox, Eduardo Sincofsky, afirmou, durante participação na live do Market Makers sobre a apuração do segundo turno das eleições presidenciais, que as pesquisas qualitativas já indicavam sinais de resistência ao senador Flávio Bolsonaro (PL) entre eleitores indecisos e grupos que poderiam definir a disputa.
Com 99,90% das urnas apuradas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para o quarto mandato com 51,77% dos votos válidos, ante 48,23% de Flávio.
Segundo Sincofsky, embora as projeções quantitativas apontassem para uma vitória provável do candidato, as conversas realizadas com eleitores revelavam preocupações com o retorno a aspectos do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro , além de críticas ao tom adotado por integrantes da direita durante a campanha.
Sincofsky explicou que sua análise se baseou em pesquisas qualitativas realizadas desde janeiro do ano anterior, com atenção especial aos eleitores indecisos e aos segmentos que oscilavam entre os dois campos políticos.
Para ele, o resultado também refletiu uma disputa em torno das percepções sobre o passado, as expectativas para o futuro e a capacidade de cada campanha de dialogar com diferentes grupos do eleitorado.
“Eu venho pesquisando os indecisos. O país está dividido em três terços: um terço que vota sempre no PT, um terço que vota sempre contra o PT e um terço que flutua”, detalhou Sincofsky, ao descrever a divisão do eleitorado que orientou seu trabalho.
Segundo o especialista, Flávio Bolsonaro enfrentou dificuldades para construir uma identidade política própria ao longo da campanha, inicialmente dependendo sobretudo do sentimento antipetista. No fim do primeiro turno, porém, o candidato passou a apresentar características que poderiam diferenciá-lo do pai, como a juventude e um perfil percebido por alguns eleitores como mais moderado.
Nas pesquisas qualitativas realizadas durante o segundo turno, Sincofsky identificou que parte dos eleitores que haviam decidido seu voto na última hora começou a demonstrar desconforto com declarações e comportamentos do candidato.
“Esse coletivo dos eleitores da última hora ficou bastante incomodado com a questão da Constituição e com a questão do divórcio que ele trouxe no debate”, afirmou o especialista, referindo-se a temas que, segundo sua análise, geraram dúvidas entre esses eleitores.
Sincofsky também observou que as pesquisas quantitativas nem sempre captavam com a mesma rapidez as mudanças que apareciam nas conversas em pequenos grupos. Ele ressalvou que sua amostra era reduzida, de 30 a 40 pessoas por rodada, mas destacou sua experiência de três décadas com pesquisas qualitativas.
“Me parecia que estava se formando alguma coisa que as pesquisas não estavam conseguindo captar.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.moneytimes.com.br — o conteúdo pertence a Money Times.