Web se tornou assustadora e horrível, diz 'mãe da internet'
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A internet superou as maiores fantasias sobre o seu potencial, diz Radia Perlman, 74, engenheira que projetou os primeiros protocolos de comunicação usados na então chamada rede mundial de computadores. "Jamais imaginei como a internet mudaria a sociedade —para o bem e para o mal."
Nos anos 1980, a engenheira escreveu o código do Spanning Tree Protocol, uma das estruturas fundamentais da web. As aplicações iniciais eram o envio de emails e dados sobretudo nas universidades, recordou Perlman em entrevista à Folha . Ela esteve no Brasil nesta terça-feira (26) para refletir sobre a internet atual e do futuro na Febraban Tech, o evento de tecnologia da principal entidade brasileira do setor bancário.
Embora destaque as coisas boas da internet, Perlman afirma que a criação para a qual contribuiu "tornou-se assustadora e horrível". "Há muita informação disponível, mas a desinformação é infinitamente maior. Ter informação real em um mar de lixo não ajuda muito."
Para ela, a Wikipédia é um "milagre". "Pela lógica, deveria estar cheia de pichações e bobagens, mas é uma fonte de informações precisas na maior parte do tempo."
Perlman também diz que as redes sociais são incríveis, apesar de quase não usá-las. "É ótimo que uma pequena comunidade espalhada pelo mundo mantenha contato facilmente."
"Por outro lado, uma pessoa furiosa e isolada não ganha espaço gritando em uma esquina, mas, se a internet permite que ela encontre 50 pessoas pelo mundo com o mesmo pensamento, elas reforçam suas crenças e se organizam para cometer atos terroristas", emendou ela em referência aos massacres escolares articulados nas redes sociais.
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O presente era impossível de projetar mesmo nas maiores fantasias dos anos 1970, de acordo com a engenheira. Ela rejeita o título de "mãe da internet", que recebeu da imprensa americana, sob o argumento de que a internet tem outros componentes cruciais.
"Eu projetei a parte de ‘routing and bridging’ [as pontes de comunicação da rede]. Se fiz um bom trabalho, ninguém nota; deve apenas funcionar", afirmou Perlman. No Museu da Computação na Califórnia, porém, colegas dela elogiam a elegância da solução matemática encontrada pela pesquisadora, apresentada inicialmente em um poema intitulado "Algorhyme".
Nos anos 1970, quando a "mãe da internet" era uma das poucas mulheres em um ambiente dominado por homens, seus pares classificaram a ideia como "simples". Desde 2014, quando ela foi incluída ao Hall da Fama dos Inventores Americanos, passou-se a reconhecer que "a simplicidade era enganosa". O setor passou a considerar o STP como um dos pilares da infraestrutura da internet.
Segundo Perlman, sua própria carreira começou por acaso. "Nunca fiz nada do tipo. Aprendi a programar porque, na faculdade, cursava uma disciplina de física e o monitor me disse que precisava de um programador."
"Respondi que não sabia", recorda. O monitor então respondeu: "Sei disso. Por isso estou convidando você.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.