Varejo opera em duas velocidades: avança no essencial, mas recua nos bens a crédito
A análise dos dados de venda do varejo de junho , divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira, apontam para um país que opera em duas velocidades.
Nos setores ligados à compra de itens essenciais, como alimentação, houve avanço.
Já as vendas de bens e produtos que demandam crédito recuaram, frente ao cenário de juros restritivos e alta inadimplência.
O varejo restrito , que capta as vendas em supermercados, lojas de roupas e farmácias, por exemplo, teve alta de 0,5% na comparação com o mês anterior.
Já o varejo ampliado , que inclui estes setores e também a venda de veículos e materiais de construção, recuou 1% .
Na leitura trimestral , no entanto, houve recuo nos dois indicadores, de -03% no restrito e de -0,7% no ampliado .
Foram as primeiras leituras negativas após três trimestres de alta, aponta Alexandre Maluf, economista da XP.
Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o varejo ampliado avançou 4,9% e o restrito, 2,9%.
Período Varejo restrito Varejo ampliado Volume de vendas Receita nominal Volume de vendas Receita nominal Junho / Maio* 0,5 1 -1 -0,6 Média móvel trimestral* -0,3 0,8 -0,7 -0,2 Junho 2026 / Junho 2025 2,9 7 4,9 8,1 Acumulado 2026 1,9 4,7 1,9 3,9 Acumulado 12 meses 1,6 4,9 0,8 3,4 Fonte: IBGE O que puxou as vendas em junho e onde elas recuaram A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) aponta que a alta no varejo restrito foi impulsionada por segmentos menos sensíveis ao ciclo econômico e pela deflação de produtos de necessidade básica.
O setor de hipermercados e supermercados cresceu 1,1% em junho, revertendo a queda de 1,4% do mês anterior.
A categoria de outros artigos de uso pessoal e doméstico avançou 2,4%.
Móveis e eletrodomésticos registraram leve alta de 0,4% na comparação mensal.
Segundo Matheus Pizzani, economista do PicPay, a forte queda da inflação de alimentos foi o principal vetor positivo para o período, o que, segundo ele, ajudou a liberar renda para o consumo de outros itens essenciais.
Já as atividades dependentes de crédito e de decisões de longo prazo pressionaram os índices para baixo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.