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Saúde

Vídeos falsos, criados por IA, colocam a saúde de idosos em risco

Portal Drauzio Varella ·
Vídeos falsos, criados por IA, colocam a saúde de idosos em risco

Se por um lado a inteligência artificial (IA) trouxe mais praticidade para o dia dia, por outro ela pode ser usada de forma perigosa. Os vídeos falsos que utilizam imagens de médicos e personalidades conhecidas , por exemplo, colocam a saúde de idosos em risco ao divulgar informações sem comprovação científica e promover supostas curas milagrosas.

Chamados de deepfakes , esses conteúdos gerados por IA muitas vezes incentivam, inclusive, o abandono de tratamentos. Segundo Clayton Macedo, endocrinologista e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a desinformação em saúde pode modificar comportamentos e colocar vidas em risco .

O caso fica ainda mais sério quando a promessa envolve curas rápidas para doenças como diabetes, obesidade e problemas de tireoide.

“Os oportunistas acabam se aproveitando da dor do paciente, especialmente pela cronicidade das doenças. Na medicina, mentiras convincentes podem trazer consequências graves”, alerta ele.

Ao acreditar em fórmulas milagrosas sem evidência científica, muitas pessoas, em especial os idosos, pulam etapas importantes do acompanhamento de saúde na esperança de soluções rápidas. “O paciente pode atrasar o diagnóstico, abandonar um tratamento eficaz ou ainda utilizar substâncias sem comprovação e potencialmente perigosas”, destaca o médico.

De acordo com o especialista, um paciente com diabetes que interrompe medicamentos corre o risco de passar por uma descompensação grave aguda, passível de internação. “Um paciente com diabetes tipo 1, que abandona a insulina, pode ter um quadro gravíssimo de cetoacidose diabética, capaz de levar ao coma e à morte”, exemplifica.

Da mesma forma, uma pessoa com obesidade , ao trocar uma terapia comprovada por produtos sem evidência de eficácia e segurança, pode sofrer complicações.

“ Nenhuma mudança terapêutica deve ser realizada baseada em um vídeo de internet, por mais que ele pareça absolutamente verdadeiro ”, aconselha Macedo.

Veja também: Herança da pandemia: desinformação em saúde segue impactando a vida das pessoas

Um vídeo sobre um suco de batata para gastrite teve mais de 2,2 milhões de visualizações antes de ser removido. Outro, que prometia “desentupir artérias” com receitas caseiras, teve mais de 2,6 milhões de visualizações e mais de 60 mil compartilhamentos.

Segundo Marcia Umbelino, médica clínica geral pós-graduada em geriatria, se a mensagem dada pela IA ajuda e fala aquilo que o paciente quer ouvir, ele compra a ideia. “Muitas vezes, pacientes idosos não comentam com ninguém e simplesmente suspendem a medicação. Só vamos detectar com uma complicação e um desdobramento não esperado”, conta.

Isso acontece principalmente com idosos porque, segundo a especialista, eles ainda não estão totalmente adaptados na transição do analógico para o digital . “Eles têm acesso ao celular, mas muitas vezes não têm um bom manejo. Também não possuem o hábito de investigar se a informação é falsa ou verdadeira”, analisa.

Como acreditam que se está na internet, a sugestão é segura, a recomendação é a família explicar a situação para o idoso.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em drauziovarella.uol.com.br — o conteúdo pertence a Portal Drauzio Varella.

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