Postura correta realmente existe?
Existe uma crença popular de que a postura correta é aquela em que a coluna está perfeitamente ereta, como se tivesse uma régua grudada nas costas. Essa ideia, no entanto, é imprecisa e não existe uma única postura que deva ser mantida o dia inteiro. É o que indicam estudos sobre o tema e explicam fisioterapeutas e médicos especialistas da área.
“A nossa coluna tem curvas naturais (cervical, torácica e lombar) que funcionam como molas, absorvendo impacto e distribuindo a carga do corpo. Quando tentamos mantê-la ‘reta’ o tempo todo, na verdade estamos travando essas curvas e sobrecarregando músculos, ligamentos e discos”, explica Eduardo Filoni, fisioterapeuta, professor do Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e doutor em ciências pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Segundo Thiago Sampaio Busato, ortopedista presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Regional Paraná (SBOT-PR), depende da pessoa .
“A verdade é que não existe uma única postura que a gente precise realmente manter durante todo o dia, como se fosse uma coisa estática. A nossa coluna tem curvaturas naturais, e cada pessoa tem, a partir da sua compleição física, dos seus genes, a sua ‘coluna ideal’, vamos dizer assim”, afirma.
O que mais atrapalha, na verdade, é ficar muito tempo na mesma posição. O especialista diz que isso pode causar contraturas musculares ou dores, embora não provoque lesões estruturais. Em vez de buscar uma postura rígida, portanto, o ideal é variar a posição, principalmente para quem trabalha muito tempo sentado.
Existem algumas posturas básicas, segundo Filoni: sentado, em pé, semissentado e de cócoras. Cada uma tem suas vantagens e desvantagens.
“Ao alternar entre essas posições, e revezar a carga entre estruturas diferentes, nenhuma região fica sobrecarregada por tempo demais, e os músculos de sustentação trabalham de forma equilibrada. ‘A postura saudável é a próxima postura’ : essa é a frase que utilizo para meus pacientes, mesmo em situações de internação”, diz o fisioterapeuta.
Hoje em dia, por causa do trabalho, muitas pessoas ficam horas sentadas. E isso também ocorre fora do emprego. Segundo estudo publicado em 2023 no periódico científico oficial do Ministério da Saúde, Epidemiologia e Serviços de Saúde: revista do SUS (RESS) , cerca de 30% dos adultos brasileiros relataram pelo menos seis horas diárias de comportamento sedentário no tempo livre .
Essa situação, de acordo com o ortopedista, não é recomendada porque a falta de movimento das articulações, dos músculos e dos tendões pode prejudicar até a oxigenação desses tecidos e causar contraturas.
“A melhor estratégia para essas pessoas realmente é colocar um alarme a cada 30, 40 minutos, uma hora que seja, levantar, dar alguns passos, fazer alguns alongamentos rápidos e poder voltar para o trabalho. Essa variação e essa movimentação são importantes para a prevenção de lesões”, afirma Busato.
Outro estudo , publicado em 2018 na revista Ergonomics , fez uma revisão sistemática com meta-análise de pesquisas sobre estações de trabalho que permitem alternar entre as posições sentado e em pé.
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