Desmatamento aumenta risco de leishmaniose e doença de Chagas na Amazônia, aponta estudo
Foto: Wandercleyson Abreu/Fapesp Pesquisas realizadas no Acre evidenciam diferentes efeitos do desmatamento na dinâmica da leishmaniose e da doença de Chagas na Amazônia.
Os cientistas descobriram que áreas devastadas há mais tempo concentram maior abundância de mosquitos-palha, transmissores do protozoário do gênero Leishmania .
Também mostraram que paisagens com menor cobertura florestal aumentam a probabilidade de barbeiros estarem infectados pelo parasita da doença de Chagas, sobretudo próximo a moradias.
Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo : siga o Canal Rural no Google News! Esses resultados ajudam a compreender mecanismos de transmissão de infecções endêmicas e podem contribuir para aprimorar a vigilância epidemiológica na região.
Eles se somam a um terceiro trabalho, divulgado em 2025 pelo mesmo grupo, que detectou maior risco de malária em áreas parcialmente degradadas, com 50% de cobertura.
Os estudos sobre a relação entre mudanças no uso da terra na floresta tropical e transmissão de doenças reforça a importância de incorporar indicadores ambientais a estratégias de saúde.
Doenças tropicais negligenciadas Além de malária e leishmaniose serem consideradas endêmicas na Amazônia, elas estão na lista de doenças tropicais negligenciadas (DTNs), juntamente com a de Chagas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica as DTNs como um problema de saúde pública, com cerca de 1,4 bilhão de pessoas afetadas.
No entanto, recebem menos atenção e financiamento do que outras condições.
Impacto de ações humanas Nos trabalhos, os cientistas avaliaram a relação entre humanos e insetos vetores em diferentes paisagens, desde florestas preservadas até totalmente desmatadas, para investigar impactos das mudanças ambientais e o risco de infecções.
Foram realizados levantamentos de campo em 20 pontos de um assentamento rural em Cruzeiro do Sul nos anos de 2022 e 2024.
Considerado o segundo maior município do Acre (a noroeste do estado, na margem esquerda do rio Juruá), o local tem enfrentado pressão constante de desmatamento.
“Embora a relação entre a perda de floresta e o aumento do risco de zoonoses já seja tratada, ainda precisamos de dados empíricos sobre como o desmatamento se associa mecanicamente a doenças vetoriais”, conta Laporta, autor correspondente dos artigos.
Agora, Laporta está buscando responder à mensagem dos trabalhos: deu início a uma nova etapa do estudo, com o objetivo de restaurar áreas degradadas com espécies nativas amazônicas para medir, ao longo do tempo, as variáveis de saúde.
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