"Rest in Power": Milhares se reúnem em Londres para vigília em homenagem ao acadêmico Arday
LONDRES, 17 Ago (Reuters) - Milhares de pessoas participaram de uma vigília no centro de Londres nesta segunda-feira em homenagem a Jason Arday, ex-professor de sociologia da Universidade de Cambridge encontrado morto na sexta-feira após semanas de intenso escrutínio em torno de acusações de plágio e outras alegações.
Arday, que já foi aclamado como o professor negro mais jovem de Cambridge, renunciou ao cargo em 5 de agosto, depois que um ex-pesquisador o acusou de plágio em sua tese de doutorado. O primeiro-ministro britânico Andy Burnham descreveu sua morte como “uma tragédia em muitos níveis”.
As acusações de plágio atraíram enorme interesse da mídia, levando a questionamentos sobre outros aspectos de sua vida, incluindo afirmações sobre sua carreira, vida pessoal e condições de saúde.
Sua família afirmou na sexta-feira que ele havia sido vítima de desinformação e assédio.
O grupo de campanha Stand up to Racism organizou a vigília nesta segunda-feira para homenagear Arday. Pessoas carregavam flores e cartazes -- alguns com os dizeres “Rest in Power (em referência ao movimento negro), professor Jason Arday” -- enquanto se reuniam na Trafalgar Square, centro histórico de protestos na capital britânica.
Antes de sua morte, Arday havia se tornado um ponto focal para comentários frequentemente polêmicos sobre o estado da sociedade britânica, incluindo questões raciais, rigor acadêmico, interferência policial e intromissão da mídia.
A Universidade de Cambridge se comprometeu, na quarta-feira, a investigar as circunstâncias de sua nomeação e seu trabalho acadêmico.
Críticos argumentaram que a universidade estava tão empenhada em contratar um acadêmico negro que não verificou adequadamente as credenciais de Arday e não reagiu de forma apropriada quando surgiram as acusações de plágio.
O chanceler da universidade, Chris Smith, defendeu a abordagem da instituição nesta segunda-feira.
“Acredito que seja possível manter dois princípios ao mesmo tempo: acreditar na importância da integridade acadêmica e, quando surgirem críticas de plágio contra qualquer acadêmico, seja quem for, garantir que elas sejam rigorosamente investigadas”, disse ele à BBC.
“E também recusar-se a participar de uma caça às bruxas racista contra um acadêmico específico.”
A Polícia Metropolitana do Reino Unido pediu desculpas a um jornalista por ter investigado uma denúncia contra ele, após o profissional de imprensa entrar em contato com Arday para obter comentários sobre as acusações de plágio um ano antes de a matéria ser divulgada.
O escrutínio, uma vez que as acusações foram publicadas, se estendeu a questionamentos sobre os relatos de Arday sobre suas dificuldades na infância com o autismo e suas conquistas esportivas -- incluindo o fato de ele ter corrido 30 maratonas em 35 dias.
“Ele estava sendo submetido a um escrutínio implacável, incluindo ridicularização, que desacreditava absolutamente todos os detalhes de sua vida”, disse Simon Baron-Cohen, professor de Cambridge e apoiador de Arday, à rádio da BBC no sábado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.