Entenda o exame de sangue que detecta sinais de câncer antes da tomografia
Na oncologia, algumas perguntas atravessam a prática clínica há tempos. Mas muitas delas envolvem uma questão importante: é possível detectar o câncer em exames de sangue?
Os resultados apresentados na ASCO 2026, um dos principais eventos mundiais da especialidade, mostraram que não existe uma resposta efetiva para rastrear qualquer tipo de câncer em pessoas saudáveis. Ainda assim, a biópsia líquida se apresenta como uma alternativa promissora para o avanço desse cenário.
O DNA funciona como o manual de instruções dentro de cada célula, um código químico organizado em espiral que diz ao corpo o que fazer. Quando esse código sofre erros, pode surgir um tumor, e pedaços desse DNA alterado caem na corrente sanguínea: é o ctDNA, que a biópsia líquida consegue detectar.
Em pessoas saudáveis, sem risco conhecido, buscar qualquer tipo de câncer ao mesmo tempo ainda tem uma margem de erro maior, limite que a ASCO 2026 confirmou. Em quem tem risco aumentado, como fatores de risco ambientais conhecidos ou mutação genética associada a um tumor específico, testar de forma direcionada para esse tipo de câncer já mostra resultados mais assertivos, ainda que a ciência esteja definindo quais testes usar e para quais pacientes. E, em quem já tem diagnóstico, a tecnologia já entrega valor comprovado e já está disponível no Brasil como acompanhamento do tratamento, com decisões tomadas semanas ou meses antes de qualquer sinal aparecer em um exame de imagem. Como o exame pode antecipar a troca de tratamento
Sempre defendemos que o exame de imagem não deveria ser o único sinal a orientar a troca de tratamento. Receber o resultado de um exame demonstrando sinais de piora do câncer gera angústia e preocupação, e conseguir detectar sinais e tratar antes que isso aconteça é a melhor forma de melhorar o cuidado aos pacientes. Portanto, o momento certo de agir passa pelo comportamento do próprio ctDNA circulando no sangue, não apenas pelo que já se tornou visível em uma tomografia. Para isso, o sequenciamento do DNA circulante na corrente sanguínea tem papel central. Ele identifica mutações de resistência e quantifica a carga tumoral no sangue com uma sensibilidade que a imagem ainda não alcança.
Um estudo apresentado na sessão principal da ASCO em 2025 acompanhou mulheres com câncer de mama avançado que desenvolveram a mutação ESR1. O exame de sangue identificou a mutação antes de qualquer piora aparecer nos exames de imagem, e trocar o tratamento nesse momento, sem esperar a doença avançar, manteve as pacientes com a doença controlada por mais tempo e com melhor qualidade de vida.
As atualizações apresentadas este ano trouxeram um dado que reforça o valor do método: quando a quantidade de ctDNA no sangue cai, o resultado do tratamento melhora junto. O mesmo padrão já apareceu em outros tipos de câncer. Risco de recidiva e doença residual mínima (MRD)
Essas evidências se conectam ao que a ASCO 2026 mostrou sobre doença residual mínima, a MRD: o sinal de que ainda sobra câncer escondido no corpo depois de uma cirurgia. Um dos maiores medos relacionados ao câncer é a recidiva.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jovempan.com.br — o conteúdo pertence a Jovem Pan.