Díaz-Canel denuncia ‘guerra multidimensional’ dos EUA contra Cuba
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez afirmou que as 176 medidas econômicas aprovadas pela Assembleia Nacional, 75% delas já com respaldo legal, buscam fortalecer a economia nacional e não são concessões aos Estados Unidos nem um abandono do processo socialista de construção no país caribenho.
“As 176 medidas econômicas anunciadas são resultado de um debate sobre melhorias que vem acontecendo há mais de 10 anos”, disse o chefe de Estado em entrevista ao jornal brasileiro Folha de São Paulo .
Explicando o contexto das transformações que receberam luz verde do Parlamento em junho, Díaz-Canel disse que a situação econômica atual deu maior urgência às mudanças que já estavam sendo estudadas, e defendeu a incorporação de diferentes atores econômicos como forma de aumentar a produção, atrair investimentos e gerar recursos para o desenvolvimento.
Entre as medidas estão aquelas que promovem maior participação do setor privado, novas possibilidades de investimento estrangeiro e a abertura aos investimentos de cubanos que vivem no exterior. Nesse sentido, o presidente enfatizou que os principais meios de produção permanecem nas mãos do Estado, e que os novos atores econômicos devem contribuir para o objetivo de aumentar a produção e gerar benefícios para a população.
Ele enfatizou que a justiça social continua sendo um princípio central do projeto cubano, o que também se reflete no pacote de transformações aprovado em junho, e que os programas sociais apoiados pelo orçamento estatal são mantidos.
Diaz-Canel negou que as medidas respondam às exigências de Washington. “Os Estados Unidos não têm moral para nos pedir concessões, nem estamos dispostos a fazê-las”, disse ele. Ele enfatizou que as reformas em andamento fazem parte de um processo nacional de melhoria econômica e não de uma negociação com o governo dos EUA.
Quando abordado sobre a possibilidade de uma intervenção militar dos EUA na ilha, o presidente Díaz-Canel respondeu: “Desta administração dos EUA podemos esperar qualquer coisa.”
Ele afirmou que Cuba é um país de paz, mas apontou que há uma retórica constante de ameaças, razão pela qual a ilha está se preparando com ações como o Dia da Defesa Nacional. Referindo-se às pressões militares contra a ilha, ele disse que “não temos alternativa a não ser resistir.” Questionado sobre o que aconteceria com ele pessoalmente em caso de ação militar, ele disse: “Se minha hora chegar, já chegou. Mas não será por fraqueza e covardia. Vai ser luta.”
Presidente cubano Miguel Díaz-Canel reitera que ‘nação não se rende’ diante das medidas coercitivas dos EUA Presidencia de Cuba
Quando questionado sobre alertas de organizações internacionais, e até de congressistas norte-americanos, de que, sob as medidas coercitivas unilaterais dos EUA, o país caribenho está se tornando uma “Gaza silenciosa”, Díaz-Canel concordou e acrescentou que “estamos sujeitos a uma política de máxima pressão do governo dos EUA.
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