Renegociação de dívidas rurais esbarra em prazo e excesso de exigências
Imagem gerada por IA para o Canal Rural A publicação da portaria do Ministério da Fazenda que autoriza a equalização das taxas de juros nas novas operações destinadas à renegociação de dívidas rurais destravou uma etapa importante para a operacionalização das linhas de crédito.
Apesar do avanço, representantes do agronegócio alertam que os produtores ainda encontram dificuldades para acessar os recursos.
Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News! O documento foi publicado após a regulamentação da Medida Provisória 1.376/2026 e permite que as instituições financeiras habilitadas avancem na implementação das operações de renegociação.
A portaria saiu um dia depois de mais de 20 entidades ligadas ao agronegócio entregarem à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) um manifesto cobrando do governo federal medidas para viabilizar, na prática, as linhas anunciadas.
Com a publicação, uma das principais reivindicações do setor foi atendida.
Agora, porém, as atenções estão voltadas à capacidade dos bancos de receber os pedidos e efetivar as renegociações.
Setor pede prorrogação de prazo A presidente-executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Zanella, afirma que a regulamentação permite às instituições financeiras avançarem na implementação das linhas, mas destaca que ainda existe uma distância entre a criação do programa e o acesso efetivo pelos produtores.
Segundo ela, uma das principais preocupações neste momento é o prazo de suspensão das dívidas previsto na medida provisória, que chegou ao fim antes de as instituições estarem plenamente preparadas para receber as operações.
“O que nos preocupa ainda é que a medida provisória trazia o prazo de 30 dias dessa prorrogação da dívida, juros e tudo mais, suspensão dessa dívida.
Esse prazo acabou agora na sexta-feira”, afirmou.
Diante desse cenário, a OCB mantém interlocução com o Ministério da Fazenda para tentar obter uma prorrogação.
“A interlocução que nós estamos fazendo já hoje com o Ministério da Fazenda é para que isso seja prorrogado, dado que as instituições financeiras, os bancos que estão operando, não estão em condição ainda de recepcionar essa operação do endividamento rural”, acrescentou Zanella.
A avaliação é de que um prazo adicional daria tempo para os sistemas das instituições financeiras se adaptarem às novas linhas sem que os produtores sejam prejudicados enquanto aguardam a possibilidade de renegociação.
Produtor ainda encontra dificuldades Apesar da publicação da portaria, a preocupação das entidades permanece porque, segundo Zanella, os produtores ainda não conseguem acessar plenamente as condições anunciadas.
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