O Brasil que o crédito ainda não enxerga
Eles trabalham, recebem, pagam contas, compram, vendem e empreendem.
Mas, na hora de pedir crédito , uma parte expressiva dos brasileiros não tem dados suficientes para ser avaliada pelo sistema financeiro.
Um levantamento da Serasa Experian estimou em 35,3 milhões o número de pessoas sem registros econômicos no CPF,o equivalente a 21,7% da população adulta.¹ A situação se soma ao tamanho da informalidade no país.
Segundo o IBGE, o Brasil ainda tem perto de 40 milhões de trabalhadores informais , grupo que inclui empregados sem carteira, trabalhadores por conta própria sem CNPJ e empregadores sem registro.² Ao mesmo tempo, a bancarização avançou: o Banco Central aponta que 96,4% da população adulta tem conta bancária ou de pagamento.³ Ter conta, no entanto, não significa ter crédito .
Quem são os invisíveis financeiros A invisibilidade financeira não é falta de atividade econômica.
É falta de registro.
O pintor autônomo que recebe por Pix, a vendedora que alterna maquininhas, dinheiro e transferências, o entregador que tem renda variável ou a cozinheira que vende marmitas pelo WhatsApp podem movimentar valores todos os meses sem gerar um histórico fácil de interpretar.
Continua após a publicidade O modelo tradicional de crédito foi construído em torno de sinais mais estáveis, como holerite, emprego formal, tempo de relacionamento bancário, faturas pagas, financiamentos anteriores.
Quem não se encaixa nesse padrão tende a aparecer como uma aposta mais arriscada, ainda que tenha capacidade real de pagamento.
Daí nasce o dilema, afinal sem histórico, a pessoa não consegue crédito ; sem crédito, não constrói histórico.
O Cadastro Positivo, que reúne informações sobre pagamentos feitos em dia, foi criado justamente para ampliar essa leitura.
Mas, para quem ainda não tem contas, financiamentos ou faturas vinculadas ao CPF, a entrada nesse sistema continua limitada.
Continua após a publicidade O custo de não ser visto A invisibilidade tem efeitos práticos.
Sem acesso a um empréstimo pessoal formal, muita gente recorre a alternativas mais caras ou menos seguras, como cheque especial, rotativo do cartão ou crédito informal.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.